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O empoderamento negro na prática e a mudança construída coletivamente

Ampliar e mudar os lugares ocupados pelas pessoas negras em grandes corporações, no setor de investimentos e novas tecnologias é contribuir para transformar e democratizar o país.

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A falta de equidade no mercado corporativo é amplamente conhecida e começa a ser documentada de forma sistemática, revelando abismos de presença em cargos de liderança, na cadeia produtiva e de oportunidades de investimento. Ao considerar dados que demonstram o quanto há para se avançar, vem a oportunidade de implementar mudanças. Nesse sentido, a sociedade civil, governos e formadores de opinião, contribuem para potencializar a agenda ESG, em especial no Brasil, onde temos um passivo de colonização, discriminação e massiva desigualdade de raça.

Os avanços da legislação antirracista no Brasil, conquista indiscutível da luta centenária da população negra e movimentos negros por igualdade e justiça, são concretas e impactam na sociedade, ainda que lentamente. Para além de novembro, o trabalho de formiguinha para reduzir desigualdades e construir coletivamente uma democracia real é um imperativo social, moral e jurídico.

Essas premissas impulsionam ações que buscam empoderar a população negra, tanto como parte integrante do ESG quanto como resposta às demandas sociopolíticas dessa parcela da população. Não estamos mais num momento histórico em que se pode levar a sério questionamentos de que o racismo não existe, ou se incide ou não sobre todos os espaços, esse já é um fato reconhecido e demonstrado, agora o momento é de ação para mudar essa realidade.

mãos negras sobre teclado de notebook com gráficos financiros na tela do computador.
Por biasciolialessandro

Nos últimos anos, iniciativas em prol do empoderamento negro já foram criadas levando em conta essa realidade, se distanciando do mito da democracia racial, que impedia encarar o racismo de frente e sanar suas consequências. Aqui, temos orgulho sem disfarces de fazer parte dessa vanguarda no mercado corporativo, e aproveitamos o Novembro Negro para sermos negros e orgulhosos, sim, por que não? O tempo de humildade e humilhação forçada precisa – definitivamente – ficar para trás.

É para frente que andamos, por exemplo, ao convocar para a participação no “MBM Inovahack: Inovação, ESG e Impacto!”. E andamos para o futuro, sem esquecer as lições do passado recente, mas atuando sobre esse passivo ativamente, jogando a pá de cal na negação do racismo, lidando diretamente para reverter seu legado nefasto de escassez seletiva. 

Iniciativas

Grandes organizações não-negras, a exemplo do Google for Startups, por meio de iniciativas como Black Founders Fund Brasil, também reconhecem essa potencialidade – e a necessidade de mudança social – e investe recursos financeiros, sem qualquer contrapartida ou participação societária, resultando em apoio prático para ajudar empreendedores negros e negras a construírem e expandir negócios.

A Potencia Ventures é outra organização global atuando no país, com a expertise de pioneira de venture capital focada em investimentos de impacto. Fundada há vinte anos, quando impacto social e ESG não eram prioridades nas agendas globais, abriu caminhos para essa visão. Em  2022, a empresa lançou um programa no Brasil em que selecionou 20 startups e, durante este ano, essas empresas acessam mentorias e trocas de experiências com empreendedores, investidores e executivos.

Segundo a Potencia Ventures, 100% dessas startups tem cofundadora mulher, 75% têm um cofundador preto ou pardo.  Ao final do programa, 5 destas empresas receberão investimentos a partir de 100 mil dólares, a depender da necessidade da startup. 

Outra iniciativa que destacamos é oMOVER – Movimento pela Equidade Racial, que reúne 49 empresas atuantes no Brasil, que empregam juntas 1,3 milhão de colaboradores e que realizam um trabalho impactante. As ações incluem distribuição de bolsas, atividades de formação, capacitação, divulgação de artigos, mobilização interna nas organizações em prol do empoderamento negro e de construção da equidade. O MOVER descreve: “Nosso trabalho inclui o compartilhamento de boas práticas e aceleração dos processos já em curso nas empresas, além do investimento social coletivo voltado a criação de impacto positivo na educação, geração de emprego e na conscientização da sociedade quanto ao racismo”.

Ao dar prioridade a grupos raciais minorizados em grandes empreendimentos, movimentos de pessoas negras e não-negras contribuem para a promoção da igualdade racial num nicho em que predomina o estereótipo branco, nascido rico, com lastro social e financeiro, como dizem nas redes: a cara do privilégio.

Mudar a cara do mercado de investimentos e das grandes organizações, mudar o lugar onde a pessoa negra atua nesses espaços, também contribui para transformar e democratizar a sociedade. Assim como nós, coletivamente, por meio de legislação e pressão social, mudamos a cara das universidades brasileiras, após décadas da lei de Cotas. O país viu essa mudança acontecer e trazer para o mercado de trabalho, aeroportos, veículos de jornalismo, governos, parlamento, uma leva de gente com a cara do Brasil que os dados estatísticos indicam como maioria da população. Esse é o futuro pelo qual trabalhamos e queremos ver o mais breve possível.

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