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Economia

Haddad na Fazenda ainda traz incertezas ao mercado; perfil político é positivo para reformas

Analistas dizem que nome não surpreendeu e associam alta do Ibovespa no dia a outros fatores.

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O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), oficializou nesta sexta-feira (9) o nome de Fernando Haddad como ministro da Fazenda. Apesar do anúncio já ter sido esperado anteriormente, o mercado ainda considera incerto o futuro da economia do país com o petista na pasta. O terceiro mandato de Lula tem início em 1º de janeiro de 2023.

Para o economista Rodrigo Marcatti, CEO da Veedha Investimentos, mesmo após a confirmação do ex-prefeito de São Paulo no cargo, as incertezas sobre os rumos econômicos e riscos fiscais ainda permanecem no mercado financeiro. O novo ministro da Fazenda tem um perfil político, e o pragmatismo do mercado prefere nomes mais técnicos.

“O mercado tem uma leitura ruim do ponto de vista técnico, de não ser um economista de mercado, mas tem o lado positivo de ser um político com alguma habilidade que vai ter, talvez, um melhor trânsito dentro do Congresso.”

Rodrigo Marcatti, CEO da Veedha Investimentos.

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, anuncia ministros durante coletiva no CCBB Brasília. Crédito: Agência Brasil.

No entanto, o CEO da Veedha vê um lado positivo da escolha de Haddad para comandar um dos ministérios mais importantes do governo e com a situação mais crítica atualmente, já que o político deve articular com o Congresso a aprovação das reformas fiscal e tributária, que são fundamentais para o desenvolvimento do país.

“A questão de ser o Haddad talvez me preocupe menos. É importante ter um nome político no cargo, ter uma agenda forte de reformas para os próximos anos e temos que ter um político negociando.”

Rodrigo Marcatti, CEO da Veedha Investimentos.

O economista ressalta que o importante é esperar a divulgação dos nomes da equipe econômica que irá assessorar o futuro ministro, já que o mercado acredita que ele será mais permissivo com os gastos. Haddad afirmou mais cedo que ainda vai divulgar os nomes.

Presença de Lula da Fazenda

Para Caio Canez de Castro, sócio da GT Capital, Lula deve ser muito ativo no ministério da Fazenda, já que Haddad é visto como seu braço direito. Já é esperada a disponibilização de recursos para programas sociais e de distribuição de renda, além das áreas da saúde e edução.

“Vai ter bastante direcionamento de recursos para esses setores que normalmente não geram dinheiro, a não ser construção civil. Vamos ver setores que vão mais ser gastadores do que arrecadadores. Vai ter que ter uma arrecadação maior, seja na parte de impostos ou até mesmo no direcionamento melhor dos gastos públicos, já que a gente tem um orçamento que não está definido para 2023.”

Caio Canez de Castro, sócio da GT Capital.

Ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, antes de participar de reunião na sede de transição 28/11/2022 REUTERS/Adriano Machado

Para Castro, apesar do gasto público que deve ser grande no próximo governo, a austeridade fiscal deve ser a balança da economia.

“A depender de como for o restante do fiscal, não vai impactar negativamente a economia no Brasil, já que a gente está num fluxo bem interessante tanto de arrecadação e principalmente de desemprego muito baixo, consumo das famílias interessante”, ressaltou.

Mercado vai aguardar equipe econômica

O analista da Ouro Preto Investimentos, Bruno Kormura, também destacou a importância de formação da equipe que irá auxiliar Haddad no ministério e alertou sobre a necessidade de contrabalancear o aumento de gastos, já que o estado deve ser o grande propulsor do crescimento econômico como ocorreu nos dois primeiros mandatos de Lula.

“A gente só precisa tomar cuidado, porque simplesmente você aumentar gastos do Estado e não ter fonte de financiamento pode ser contrabalanceado de duas formas. Você consegue contrabalancear com o aumento de impostos, ou seja, criando novos impostos, voltando algumas isenções que foram implementadas”, afirma.

Ainda segundo Kormura, é preciso tomar muito cuidado porque, em sua visão, a carga tributária no Brasil já é muito elevada e a criação de novos impostos é muito impopular e teria resistência grande no Congresso. “A outra forma poderia ser por meio de inflação, acho que isso é muito complicado, vai contra a diretriz de ajudar a população mais vulnerável. Tem que tomar muito cuidado com isso”, diz.

Reação dos mercados com Haddad

Para Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil Investimentos, a nomeação de Haddad deve continuar fazendo preço nos próximos dias. Em sua visão, não é um nome que inspira muita confiança no mercado, já que é fruto da política do PT, o que para muitos liga o sinal de alerta.

“A grande pulga atrás da orelha é saber qual força irá conduzir a Fazenda, o lado técnico do Pérsio Arida e equipe, caso seja um dos nomes da equipe econômica, focado em boas políticas públicas direcionadas para a geração de emprego, renda, e crescimento do Brasil, ou se o viés mais político capitaneado por Haddad, com mais estado na Economia, aumentando a máquina e os gastos do país. Fica essa dúvida, que adiciona incerteza, insegurança, e falta de previsibilidade, tudo o que o mercado financeiro não gosta.”

Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil Investimentos.

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Crédito: Adobe Stock

Por que Ibovespa subiu após anúncio de Lula?

Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, operava em alta nesta sexta-feira (9) após o anúncio dos nomes que irão conduzir alguns ministérios. Na véspera, o índice fechou no menor nível em quatro meses, em meio a rumores da confirmação de Haddad na pasta.

O dólar também subia frente ao real após o anúncio feito por Lula, mas em um movimento avaliado por agentes do mercado como comedido, uma vez que a notícia já era esperada.

“Quanto ao Ibovespa, acredito que não mudou porque já tinha todos os indícios possíveis nos últimos dias e não surpreendeu. A bolsa já tinha aberto melhor hoje com o resultado do IPCA. O discurso do Lula não agravou em nada.”

Marcatti, da Veedha.

Já Castro, da GT Capital, descarta a relação da alta do Ibovespa com a escolha de Haddad.

“A alta da bolsa está muito mais atrelada a uma melhora do dólar, que abriu numa alta muito grande justamente por causa da inflação lá nos Estados Unidos que vinha derrubando a bolsa, e agora a bolsa americana voltou a ficar estável, próximo do zero a zero”, destacou.

Já o analista da Ouro Petro, Bruno Kormura relacionou a alta do Ibovespa com o cenário externo e melhora das commodities.

“O otimismo com China, com a flexibilização das restrições, tem ajudado principalmente ações da Vale. O petróleo está com um comportamento bem misto, ainda mais porque a gente viu que o índice de inflação ao produtor veio um pouco acima do que era esperado e isso está fazendo com que os investidores reavaliem a postura do FED na semana que vem.”

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