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Economia

Por que casais de Hong Kong não querem ter filhos – nem com dinheiro do governo

Para aumentar a taxa de natalidade, o governo de Hong Kong oferece aos casais que tiverem filhos até 2026 US$ 2.500, além de incentivos fiscais e acesso facilitado à moradia subsidiada.

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Nem com o governo de Hong Kong oferecendo US$ 2.500 (cerca de R$ 12,4 mil) para cada recém nascido até 2026 casais aceitam ter um ou mais filhos. Isso por causa dos altos custos que envolvem a criação de uma criança.

Segundo o South China Morning Post, além da quantia em dinheiro, Hong Kong vai oferecer incentivos fiscais e acesso mais fácil à moradia subsidiada para combater a baixa natalidade, recorde na cidade, com 0,87 nascimentos por mulher – o que é bem abaixo dos 2,1 necessários para manter uma taxa considerada saudável, segundo o jornal chinês.

Por yavdat

Desde 1960 que a taxa vem caindo anualmente, de 5,14 nascimentos por mulher até chegar na faixa atual. Outros países também registram quedas de natalidade, mas alguns governos oferecem maiores incentivos, a exemplo de Singapura. O país disponibilizam o montante de US$ 8.036 para o primeiro e segundo filho. Para o terceiro, o valor é ainda maior: de US$ 9.497.

Alto custo de vida

Hong Kong é considerada a terceira cidade mais cara para para se morar, segundo relatórioda gestora de fortunas Julius Baer, referente a 2023. O Índice classifica as 25 cidades mais caras do mundo, analisando propriedades residenciais, carros, voos de classe executiva, escola de negócios, jantares, entre outros. Singapura, por sua vez, é quem encabeça o ranking.

E é devido ao alto custo de vida que os moradores de Hong Kong acreditam que a medida do governo não é suficiente para cobrir os gastos de se ter um filho.

Segundo a plataforma Numbeo, que aponta os diferentes custos de vida pelo mundo, uma mensalidade privada de creche ou de escola do jardim de infância, para um dia inteiro para uma criança, sai em média 6.130 dólares de Hong Kong, ou, US$ 784 (cerca de R$ 3.911). Já a mensalidade de uma escola primária internacional não sai por menos de 13.545 dólares de Hong Kong, ou, US$ 1.732 (R$ 8.641).

Mas o cálculo acima não contempla custos com moradia, transporte, alimentação, vestuário, saúde e lazer.

Hong Kong – Por dibrova

Um dos entrevistados da mídia chinesa apontou que o auxílio oferecido cobre apenas três meses do que paga na creche de seu filho de dois anos. Se fosse considerar uma babá, o valor pagaria apenas um mês e meio do serviço.

Pesquisa da think tank “Youth Ideas” publicada em 2018 apontou que mais de 70% dos entrevistados entre 20 e 35 anos disseram que não estavam interessados em ter um bebê devido ao alto custo, sendo que mais de 50% identificaram a habitação como o maior impedimento.

Hong Kong é o terceiro lugar do mundo com a menor taxa de fecundidade, segundo o Banco Mundial, e fica atrás apenas da Coreia do Sul e de Singapura. Nos últimos 30 anos, os nascimentos estão em queda, mesmo com a região tendo ficado de fora da política chinesa do filho único.

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