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Estadão Economia

O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) vê a taxa de juros, provavelmente, no pico deste ciclo de aperto, diz o Federal Reserve em seu relatório de política monetária que será apresentado ao Congresso na próxima semana. De acordo com o documento, o FOMC não acha apropriado cortar juros antes de ter maior confiança na desinflação.

Refletindo o melhor equilíbrio entre a procura de trabalho e oferta, os ganhos salariais nominais desaceleraram em 2023, mas permanecem acima de um ritmo consistente com 2% de inflação no longo prazo, diante das tendências precentes no crescimento da produtividade, pontuou o Fed.

O BC americano notou que os aumentos nos preços dos serviços de habitação começaram a ficar mais moderados, chegando a 6,1% em 12 meses encerrados em janeiro, abaixo de um pico de mais de 8%. Esta desaceleração, ressalta o documento, é consistente com os aumentos menores nos aluguéis de mercado em contratos de arrendamentos assinados por novos inquilinos observados desde final de 2022.

Para o Fed, o abrandamento do mercado de aluguéis aponta, portanto, para uma desaceleração contínua nos preços dos serviços de habitação ao longo do próximo ano.

Riscos geopolíticos

Os riscos geopolíticos para a economia "continuam salientes" e são capazes de ampliar pressões inflacionárias ou renovar estresses sobre o sistema financeiro dos Estados Unidos, apontou o Federal Reserve (Fed), em relatório anual sobre política monetária, divulgado há pouco. O BC americano destaca principalmente a guerra da Rússia contra a Ucrânia e potencial expansão da guerra entre Israel e o Hamas no Oriente Médio.

O relatório nota, por exemplo, que as interrupções no transporte marítimo pelo Mar Vermelho estão ampliando a pressão sobre o petróleo e representam um risco de alta para os preços de energia neste ano.

Além disso, o Federal Reserve destaca que as interrupções no transporte também afetam os preços de outros bens e podem ameaçar todo o processo global para restaurar um nível mais baixo de inflação, caso as tensões aumentem.

Segundo o Fed, este é um temor compartilhado por outros bancos centrais estrangeiros, que alertaram sobre a possibilidade de desaceleração ou reversão da queda nos preços se houver uma materialização de riscos geopolíticos ou se o mercado de trabalho seguir resiliente.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta sexta-feira, 1, que a arrecadação do governo está surpreendendo, mesmo se desconsiderada a contribuição das medidas de novas receitas aprovadas no ano passado, em especial a tributação de fundos offshore e exclusivos.

"O primeiro trimestre está bom do ponto de vista da arrecadação. Isso está nos surpreendendo, inclusive, estou falando de arrecadação não extraordinária", declarou Haddad em entrevista coletiva no gabinete da Fazenda na capital paulista.

Segundo Haddad, dados preliminares de fevereiro, coletados até sexta-feira, mostram uma arrecadação compatível com os números surpreendentes de janeiro. "Os dados até sexta, que eu acompanhei bem, estavam completamente em linha não com a projeção da lei orçamentária, mas com a boa evolução que tivemos em janeiro", afirmou o ministro.

Ele apontou ainda a arrecadação positiva vinda das contribuições à Previdência como um sinal de que o mercado de trabalho continua consistente. Apesar das surpresas na arrecadação, Haddad afirmou que a atividade econômica deve "andar de lado" no primeiro trimestre.

"Não podemos subestimar os problemas. Em nenhum dia nós podemos fazer isso", frisou o ministro.

O Federal Reserve considera que o setor bancário permanece sólido e resiliente, após o estresse agudo no sistema bancário ter diminuído desde março passado, diz o Federal Reserve em seu relatório de política monetária que será apresentado ao Congresso.

Embora o estresse agudo no sistema bancário tenha diminuído desde março passado, algumas áreas de risco justificam monitoramento contínuo, observa o BC americano.

A pressão ascendente sobre os múltiplos dos ativos continuou, com os preços dos imóveis elevados em relação aos aluguéis e uma elevada relação preço/lucro nos mercados acionários, diz o Fed.

Empréstimos de empresas não financeiras e para as famílias continuaram aumentando em um ritmo mais lento do que o do PIB nominal, e a relação proporcional da dívida frente ao PIB situa-se agora perto do seu mínimo de 20 anos.

Para o Fed, as vulnerabilidades da alavancagem do setor financeiro continuam a ser dignas de nota. Enquanto a proporção de risco com base no capital dos bancos permanece sólida e aumentou de maneira geral, declínios do valor justo de ativos de renda fixa têm sido relevantes em relação ao capital regulatório em alguns bancos, avalia o BC.

A Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) prevê queda de 0,5% a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária neste ano, ante crescimento de 15,1% em 2023. A estimativa da entidade é preliminar e deve ser revisada após os resultados anuais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 1. "O recuo será muito em virtude da produção menor de grãos, além do impacto do aumento no consumo intermediário, que pressiona os custos de produção", disse o coordenador do Núcleo Econômico da CNA, Renato Conchon, ao Estadão/Broadcast. Os grãos representam a maior fatia do desempenho da agropecuária e, portanto, variações na produção afetam o resultado geral do setor. Para o PIB nacional, a CNA projeta, em estimativa preliminar, crescimento de 1,7% neste ano, número que também será revisado posteriormente.

A CNA avalia que o crescimento de 15,1% do PIB da agropecuária no ano passado foi "bom". Segundo os cálculos da confederação, a agropecuária respondeu por 44% do crescimento do PIB Brasil. "Se não fosse o PIB da agropecuária, o Brasil teria crescido apenas 1,6% ante 2,9% do resultado obtido", avaliou Conchon.

O crescimento do PIB do agro deve-se sobretudo à maior produção de soja e milho, com avanço de 27,1% da soja, 22% do milho segunda safra e 16,3% do café arábica. "O resultado foi bastante positivo, sobretudo pelo aumento da produtividade", apontou. Entre as contribuições negativas, a CNA destacou a queda de 22,8% do trigo e 7,4% da laranja, acompanhando as menores safras.

Participação

Com o desempenho do PIB Agro muito acima do crescimento nacional, a agropecuária aumentou sua participação no resultado do País de 6,8% em 2022 para 7,2% no último ano. "A alta na participação deve-se porque o agro cresceu muito mais que outros setores, enquanto outros setores perderam participação e até deixaram de crescer, como a indústria da transformação", avaliou Conchon.

Neste ano, com a previsão de queda do PIB agro diante do avanço do PIB nacional, o setor deve diminuir sua participação no Produto Interno Bruto do País. A estimativa preliminar da confederação é de que a participação do setor volte ao patamar histórico entre 6,5% e 7%. "Imaginamos que neste ano o PIB Brasil deve crescer em porcentual maior que o PIB agro. Portanto, o aumento da participação de 2023 deverá ser devolvido em 2024", comentou Conchon. Ele avalia que o desempenho do PIB nacional deve ser puxado preliminarmente pela indústria ligada à cadeia do petróleo.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta sexta-feira, 1º, que espera pela retomada das discussões entre o Mercosul e a União Europeia (UE) no segundo semestre.

"Eu penso que a discussão da União Europeia com o Mercosul vai ser retomada no segundo semestre. Eu penso que a poeira vai baixar um pouco e os negociadores vão voltar para a mesa", disse o ministro acrescentando que um acordo ente os dois blocos vai ajudar a economia brasileira, especialmente o setor agrícola.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta sexta-feira, 1º, enquanto comentava o desempenho do PIB de 2023, que na semana que vem sua pasta retomará as negociações com o Congresso para aprovar medidas que mantenham em curso o bom andamento da economia. Ele fez um balanço positivo da economia, que no ano passado cresceu 2,9%, superando até mesmo a expectativa inicial do governo, mas ressaltou que não se pode subestimar os problema

"Até aqui nós estamos andando. Mas nós não podemos subestimar os problemas. Em nenhum dia nós podemos fazer isso. É uma situação que inspira cuidado. Por isso que a semana que vem começam as

negociações no Congresso", disse.

Haddad afirmou que há uma série de coisas que precisam ser discutidas com os líderes, e com os presidente das duas casas legislativas para fazer a agenda de reformas andar. Entre as pautas a serem negociadas com o Congresso o ministro citou projetos de leis e a reforma microeconômica.

"Temos uma série de coisas para discutir com os líderes, com os presidentes. Para fazer a agenda de reformas andar. Tanto as agendas microeconômicas quanto as medidas fiscais para equilibrar as contas. Desde o começo, meu mantra é o mesmo: políticas fiscal e monetária têm que andar juntas na mesma direção. Se isso continuar acontecendo, eu acredito piamente que quando nós voltarmos a crescer mais, vai ser um crescimento mais estrutural", afirmou o ministro

Ainda, de acordo com Haddad, os bons ventos devem começar a soprar da economia internacional, sobretudo no que diz respeito à política monetária. Na visão do ministro, a política monetária lá fora deve começar a ser afrouxada em algum momento pelo meio do ano. E se internamente a casa estiver arrumada, a economia passará a crescer de forma estrutural, disse. "É nisso que eu acredito! Essa é a política na qual nós vamos continuar trabalhando", ressaltou.

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O resultado do PIB em 2023, que registrou avanço de 2,9%, corroborou a melhoria gradativa das expectativas ao longo do ano, de acordo com o boletim Indicadores Econômicos divulgado nesta sexta-feira, 1º, pelo Ministério do Planejamento. "O crescimento do setor agropecuário foi o destaque no lado da oferta, assim como a continuidade do setor de serviços. Na ótica da demanda, deve-se destacar a elevação do consumo das famílias e do governo", disse a Pasta.

A nota destaca que o desempenho de 2023 é o terceiro ano de crescimento consecutivo após a pandemia da covid-19. " Em 2024, se não houver elevação da atividade em nenhum dos trimestres, o PIB brasileiro, ainda assim, irá crescer aproximadamente 0,2% (o chamado carrego estatístico)", diz o boletim.

A Pasta mencionou a alta de 15,1% da agropecuária, diante do crescimento da produção em várias culturas e ganhos de produtividade no setor, com avanço em várias culturas e ganhos de produtividade. "Na ótica da demanda, chama a atenção a elevação do Consumo das Famílias (3,1%) - diante da elevação na massa salarial real, arrefecimento da inflação e programas governamentais de transferência de renda, do Consumo do Governo (1,7%) e das Exportações (9,1%)", descreve.

O boletim também observa que o investimento registrou queda de 3,0%, a mais elevada desde o ano de 2016. A taxa de investimento, em relação ao PIB, foi de 16,5% ante 17,8% em 2022. Já a taxa de poupança, que financia o investimento, foi de 15,4% em 2023 ante 15,8% em 2022. O PIB per capita somou R$ 50.193,72, em valores correntes, um avanço em termos reais de 2,2% em relação a 2022.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta sexta-feira, 1º, que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado superou as previsões iniciais não apenas do mercado, mas também do governo, que estava mais otimista no começo de 2023. Ele reiterou ainda a previsão de crescimento de 2,2% para 2024, apontando uma tendência positiva para a indústria e a construção civil.

"Se resgatar as primeiras declarações que demos, era que o PIB seria superior a 2%. E nós quase chegamos a 3% de crescimento", afirmou o ministro ao comentar a alta de 2,9% do PIB em 2023. A desaceleração econômica no segundo semestre, como efeito dos juros altos, não foi suficiente para impedir um crescimento do PIB ao redor de 3%, conforme pontuou Haddad.

Embora antecipe que a atividade vai andar de lado no primeiro trimestre, o ministro disse que a economia deve reagir ao longo do ano, como reflexo dos efeitos da queda dos juros. Conforme Haddad, a inflação mais comportada mantém um espaço ainda bom para o Banco Central (BC) seguir cortando a Selic.

"Organizando as contas públicas, por um lado, e a política monetária atuando na mesma direção, temos condição de manter a projeção de 2,2% de crescimento neste ano. Tem gente falando em mais. Nós estamos sendo comedidos aqui", disse o ministro, ponderando que a herança estatística recebida por 2024, a chamada taxa de carrego, é menor do que se esperava pela desaceleração do segundo semestre.

Conforme Haddad, há sinais consistentes de que haverá uma melhora no desempenho da indústria, e a construção civil tem tudo para deslanchar neste ano. Ele mencionou o marco de garantias, que visa reduzir o custo do crédito, ao apresentar uma visão otimista sobre as vendas de veículos e imóveis.

Em paralelo, emendou o ministro, a agricultura, frente às adversidades climáticas e barreiras comerciais no exterior, vem buscando ser mais produtiva a cada ano.

Embora a inflação permaneça acima do objetivo central do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) de 2%, houve uma diminuição, significativa, em relação ao ano passado e a desaceleração ocorreu sem um aumento substancial no desemprego, diz o Federal Reserve em seu relatório de política monetária que será apresentado ao Congresso.

De acordo com o documento publicado nesta sexta-feira, 1º, no site do Fed, o mercado de trabalho permanece relativamente apertado, com a taxa de desemprego perto de níveis historicamente baixos, com as vagas de emprego ainda elevadas. O Produto Interno Bruto real (PIB) também tem sido forte, apoiado por aumentos sólidos nos gastos do consumidor.

As bolsas europeias fecharam em alta na primeira sessão do mês, com o clima favorável embalado por balanços e por notícias de companhias da região. O mercado assimilou ainda um dado que mostrou desaceleração da inflação na zona do euro, ainda que com abrandamento mais suave do que o esperado. As ações da Daimler Truck deram um salto de dois dígitos após resultados da fabricante de caminhões e ônibus alemã. O grupo de mídia ITV também teve ganho de dois dígitos depois de anunciar um desinvestimento.

Em Londres, o FTSE 100 ganhou 0,69%, aos 7682,50 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX avançou 0,32%, aos 17735,07 pontos. O CAC-40, referencial da Bolsa de Paris, subiu 0,09%, para encerrar aos 7934,17. As cotações são preliminares.

Na zona do euro, a taxa anual de inflação ao consumidor desacelerou para 2,6% em fevereiro, ante 2,8% em janeiro, um pouco acima da expectativa de analistas consultados pela FactSet, que previam taxa de 2,5%.

Em Frankfurt, as ações da Daimler Truck dispararam 17,4%. A fabricante de caminhões e ônibus, que se tornou independente e listada na bolsa de valores em dezembro de 2021, projetou vendas entre 490.000 e 510.000 unidades para este ano, pois espera que a demanda se normalize, depois de registrar um declínio nas vendas unitárias do quarto trimestre, no comparativo anual. A companhia teve lucros ajustados antes de juros e impostos de 1,56 bilhões de euros, em comparação com 1,03 bilhões de euros no ano anterior. A receita aumentou para 14,95 bilhões de euros no trimestre, face aos 14,78 bilhões de euros do ano anterior. A Daimler Truck pagará ainda um bônus de 7.000 euros cada para funcionários elegíveis.

A ITV avançou 14,16% em Londres, depois de anunciar a venda de participação de 50% no serviço de streaming por assinatura digital BritBox International para a BBC Studios, parceira na joint venture, por 255 milhões de libras. A emissora britânica disse na sexta-feira que continuará a receber um fluxo de receitas da BritBox International, semelhante aos níveis atuais para o uso de conteúdo ITV, sob novos acordos de licenciamento. A companhia acrescentou que pretende devolver todo o resultado do valor da venda aos acionistas por meio de uma recompra de ações, que deverá ser ativada após os resultados anuais em 7 de março.

Em Madri, o Ibex 35 fechou em alta de 0,57%, a 10058,30 pontos. As ações da Grifols recuperavam uma parte das perdas depois de a empresa farmacêutica espanhola ter explicado detalhes sobre seu esperado fluxo de caixa livre este ano. As ações avançaram 17,75%, depois de terem caído 35% na quinta-feira. O papel respondeu pela maior alta porcentual do Ibex 35 nesta sexta-feira. A Grifols informou que espera 485 milhões de euros em fluxo de caixa livre antes de itens extraordinários este ano, acima dos 56 milhões de euros em 2023, acrescentando, no entanto, que esse número será temporariamente afetado por despesas de capital.

Entre os outros índices referenciais da região, o FTSE MIB, de Milão, ganhou 1,08%, a 32934,29 pontos; em Lisboa, o PSI 20 subiu 0,68%, aos 6199,59 pontos.

*Com informações da Dow Jones Newswires

Dois terços do avanço de 2,9% registrado pelo Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2023 tiveram influência do setor externo, enquanto a demanda interna contribuiu com apenas 0,9 ponto porcentual. O resultado do PIB no ano passado foi divulgado nesta sexta-feira, 1, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, a política monetária restritiva contribuiu para essa menor contribuição da demanda doméstica no PIB, enquanto setores exportadores se sobressaíram.

Sob a ótica da demanda, o salto recorde de 15,1% da Agropecuária deu contribuição fundamental para o avanço do PIB, cerca de 1 ponto porcentual, enquanto a expansão de 8,7% nas indústrias extrativas ajudou com mais aproximadamente 0,5 ponto porcentual.

Considerando as 12 atividades econômicas, apenas duas tiveram retração em 2023, construção (-0,5%) e indústria da transformação (-1,3%), justamente as mais sensíveis a uma política monetária restritiva, apontou Palis.

"Os juros começaram a baixar, mas ainda estão num patamar considerado alto", disse a coordenadora.

No caso da agropecuária, Palis lembrou que a atividade teve ganho de peso no PIB em meio à pandemia, por ter sido o setor que menos sofreu com as restrições.

"A agropecuária teve algumas vantagens em relação às outras atividades durante a pandemia. A extrativa também foi uma das atividades menos afetadas pela pandemia", disse Palis.

Embora o desempenho da agropecuária dependa muito do clima, que foi bastante favorável no ano passado, Palis menciona que houve um conjunto de fatores que beneficiou o segmento.

Ela cita o crescimento da indústria alimentícia em 2023 e o avanço no consumo das famílias. Segundo Palis, os programas de transferência de recursos no governo e a alta na renda proveniente da melhora no mercado de trabalho ajudaram a aumentar a aquisição de produtos essenciais, como os alimentos.

"A gente teve um tempo com os preços altos de produtos agropecuários, isso incentivou investimentos (na lavoura)", completou.

O PIB da Agropecuária chegou ao quarto trimestre de 2023 em nível 16,4% abaixo do pico visto no primeiro trimestre de 2023, quando houve concentração da supersafra de soja.

"Um terço do crescimento da economia em 2023 se deveu ao crescimento da agropecuária", disse ela, lembrando que a agropecuária e a extrativa somaram juntas metade do crescimento da economia no ano passado.

O PIB como um todo se manteve, no quarto trimestre de 2023, no patamar recorde da série histórica, assim como o PIB de Serviços.

No ano de 2023, o PIB de serviços cresceu 2,4%, tendo como destaque os serviços de atividades financeiras (6,6%) e de atividades imobiliárias (3,0%).

As atividades financeiras foram o grande destaque nos serviços, situando-se entre ramos que mais contribuíram para a alta do PIB, com desempenho bastante puxado pelo ganho das seguradoras. Houve maior contratação de seguros, com redução na ocorrência e pagamento de sinistros, explicou Palis. Também houve crescimento na parte da intermediação financeira, via bancos intermediando empréstimos, gerando ganhos diante dos juros mais elevados.

"As pessoas têm feito mais seguros, e não tem tido tanto sinistro. Acaba tendo ganho para seguradoras", explicou "Atividades imobiliárias tiveram ganho, que foi compatível com o aumento que tivemos no número de domicílios", acrescentou.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao comentar nesta sexta-feira, 1º, o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) em 2023, com crescimento de 2,9%, também falou sobre sua expectativa em relação à aprovação da regulamentação da reforma tributária ainda este ano.

"Eu acredito que nós vamos aprovar a regulamentação esse ano e a reforma vai ter o seu curso definido normalmente", disse o ministro, demonstrando otimismo com relação ao desempenho da economia daqui para a frente, o que para ele se dará de forma estrutural, e não mais por fatores conjunturais.

Haddad disse ter ciência de que o ano parlamentar em 2024 será menor em função do calendário eleitoral mais apertado.

"A gente sabe que o ano é menor porque tem campanhas e no segundo semestre fica mais difícil. Mas já tomamos a providência de elaborar um projeto de regulamentação da reforma tributária, já conversando com estados e municípios", disse o ministro.

Ele disse haver um grau de detalhamento e consenso bastante grande para que o governo possa chegar ao Congresso com uma lei complementar que, do ponto de vista federativo, já esteja bastante azeitada.

"Porque, do ponto de vista federativo, nós vamos montar bastante reformas para facilitar a vida dos senadores e dos deputados. Fora a experiência que o Congresso acumulou na tramitação da própria PEC. Não foi uma coisa simples, foi uma coisa que exigiu muito esforço de muitos parlamentares para entender, saber o que estava por trás daquela PEC. Eu acredito que nós vamos aprovar a regulamentação esse ano e a reforma vai ter o seu curso definido normalmente", reiterou o ministro.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Geraldo Alckmin, afirmou nesta sexta-feira, 1º, que o cenário da economia é positivo, após o PIB brasileiro ter registrado crescimento de 2,9% no ano passado. A declaração foi dada em coletiva de imprensa depois da reunião do Conselho de Administração da Suframa. Assim como outros integrantes do governo, Alckmin lembrou que as expectativas iniciais para a alta do PIB em 2023, de avanço de 0,8%, eram muito mais baixas que a realizada.

O vice-presidente citou uma série de indicadores que registraram melhora durante o ano passado, como a queda da inflação, do risco-Brasil e do desemprego. "Risco Brasil, que era 254, caiu para 128. A inflação, que era quase 6%, caiu para 4,5%, dentro do teto da meta. A bolsa subiu, o PIB subiu, o emprego subiu, e o dólar e a inflação caíram", disse Alckmin.

Ele ainda destacou o desempenho da balança comercial brasileira, que, segundo ele, em nível de exportação, cresceu dez vezes mais que a média mundial. "No comércio exterior, o volume cresceu 0,8%. No Brasil cresceu em volume 8,5%, dez vezes mais em termos de volume de exportação que a média mundial", disse.

O ministro da Indústria ponderou, contudo, que esse cenário não deve levar o governo a se "acomodar", mas sim trabalhar mais para atrair investimentos e melhorar produtividade. Nesse sentido, Alckmin citou iniciativas de seu ministério, como o programa de depreciação acelerada, que visa incentivar a compra de maquinário pela indústria, e a proposta de criação de uma Letra de Crédito do Desenvolvimento (LCD), objeto de um projeto de lei enviado pelo governo ao Congresso no fim do ano passado.

"Vamos ter linha de crédito para indústria, LCD, dinheiro mais barato, porque na letra de crédito reduz imposto de renda", comentou Alckmin, lembrando ainda dos recursos reservados para pesquisa e inovação.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou nesta sexta-feira, 1º, a modesta reação dos investimentos entre as boas notícias do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre, já que a variável contribui para que os juros sejam mais baixos, por indicar uma melhora na capacidade produtiva em atender o consumo.

"Uma coisa boa que aconteceu no quarto trimestre é que teve uma ligeira melhora na formação bruta de capital", pontuou o ministro ao comentar, no gabinete da pasta na capital paulista, o resultado do PIB, divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Com investimento, você cresce sem risco inflacionário porque, ao mesmo tempo em que a demanda aumenta, você está, logo ali na frente, aumentando a oferta ... É a forma mais saudável de crescer", acrescentou Haddad.

Ao longo de todo o ano passado, contudo, os investimentos, que caíram 3% em 2023, não acompanharam a evolução do consumo tanto das famílias quanto do governo, como ponderou o ministro. Ele ressaltou que o governo vem trabalhando junto com o Congresso a favor de um ambiente de negócios que incentive o empresário a investir mais.

A taxa de investimento de 16,5% em 2023 foi a mais baixa para um fechamento de ano desde 2019, quando foi de 15,5%, mostram dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados nesta sexta-feira, 1, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Tivemos recuo importante na taxa de investimento porque houve recuo na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF)", disse a coordenadora das Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

Já a taxa de poupança, que ficou em 15,4% em 2023, foi a menor desde 2020, quando registrou 14,8%.

"Houve recuo na taxa de poupança porque teve um consumo das famílias crescendo mais do que o PIB no ano passado", disse Palis em entrevista coletiva de imprensa após a divulgação do PIB.

Embora tenha crescido 1,6% em 2023, o PIB da indústria encerrou o ano em nível 7,0% aquém do pico alcançado no terceiro trimestre de 2013, segundo os dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

Entre os componentes do PIB industrial, as indústrias extrativas avançaram 8,7%, e a produção e distribuição de eletricidade, gás e água aumentou 6,5%. Por outro lado, a indústria de transformação encolheu 1,3%, e a construção retraiu 0,5%.

"A indústria teve esse comportamento muito heterogêneo no ano passado", disse Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE. "Recuaram as atividades mais afetadas por crédito, juros mais altos."

Segundo ela, é o comportamento negativo da indústria de transformação que impede que o PIB da Indústria volte ao patamar recorde de 2013.

A indústria de transformação chegou ao quarto trimestre de 2023 operando em patamar 18,5% aquém do pico alcançado no terceiro trimestre de 2008. No ano de 2023, puxaram a queda na transformação os segmentos de produtos químicos, máquinas e equipamentos, metalurgia, indústria automotiva e materiais elétricos.

"As atividades econômicas com queda em 2023 são as mais afetadas negativamente por uma política monetária restritiva", justificou Palis. "Dentro da indústria de transformação, vamos ver que quem puxou para baixo tem muito a ver com bens de capital, afetado por uma política monetária restritiva", completou.

Sob a ótica da demanda, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos no PIB), que também sofre influência dos juros elevados, encolheu 3,0% em 2023. No quarto trimestre de 2023, a FBCF estava em patamar 18,4% aquém do pico alcançado no segundo trimestre de 2013.

A XP Investimentos elevou sua projeção para o Ibovespa em 2024, de 142 mil pontos para 149 mil pontos, devido a expectativas mais altas para lucros. Conforme a corretora, a saída de investimento externo da Bolsa brasileira não muda a sua visão estrutural de que o Brasil está bem posicionado globalmente e em mercados emergentes para continuar atraindo capital.

Até o momento, as retiradas alcançam quase R$ 18 bilhões na B3, "à medida que as taxas subiram globalmente e os investidores realizam lucros após a forte recuperação" do Ibovespa no quarto trimestre.

Contudo, estruturalmente, a corretora continua a ver o mercado doméstico de renda variável como bem posicionado entre os emergentes, o que deverá continuar a atrair fluxo estrangeiro.

"O Brasil é um mercado grande e líquido dentro de mercados emergentes e deverá aumentar o seu peso nos índices MSCI; o valuation da Bolsa permanece descontado; o Brasil está à frente de outros países no seu ciclo de flexibilização de juros; e o país tem baixos riscos geopolíticos", descreve o relatório.

Na avaliação da XP, as Small Caps, que continuam com desempenho inferior em 2024, pode ser interessantes à medida que o ciclo de corte de juros continua e os lucros estão projetados a crescerem 16% em 2024 e 31% quando se exclui as commodities. "As Small Caps continuam atrativas, e seguem com uma performance inferior ao Ibovespa no ano", cita a nota assinada por Fernando Ferreira, Jennie Li, Thales Carmo e Julia Aquino.

Carteiras

A XP ainda cita que fez as seguintes alterações nas suas carteiras: 1) Top 10: removeu SMTO3 (São Martinho) e adicionou BBAS3 (Banco do Brasil); 2) Dividendos: reduziu o peso do EGIE3 (Engie) e adicionou CMIG4 (Cemig); 3) Small Caps: removeu ONCO3 (Oncoclínicas) e inseriu POMO4 (Marcopolo); 4) ESG: trocou ONCO3 (Oncoclínicas) por YDUQ3 (Yduqs).

O economista-chefe do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Huw Pill, afirmou nesta sexta-feira, 1, que, em sua perspectiva neste momento, um corte nos juros "ainda demora um pouco". O dirigente disse que tem monitorado a persistência da inflação e argumentou que é preciso evitar um "falso senso de segurança" sobre ela no médio prazo, mesmo que projete que ela ficará "perto ou mesmo abaixo" da meta de 2% na primavera local no Reino Unido.

Pill discursou na Cardiff University Business School. Ele disse que deseja ver evidência mais sólida de que o componente persistente da inflação subjacente no país está sendo levado para baixo, com um atingimento "duradouro e sustentável" da meta de inflação de 2%, antes de votar por corte de juros.

O dirigente lembrou que, na reunião mais recente do BoE, foi um dos que votou por manutenção da política monetária. Ele disse que tomou a decisão ao avaliar três componentes cruciais. O primeiro deles é que a atividade econômica "segue fraca" no Reino Unido, o que ele atribui em medida significativa a fraquezas vistas do lado da oferta da economia.

Em segundo lugar, Pill disse esperar que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) continue a cair nos próximos meses, "provavelmente se aproximando ou mesmo caindo abaixo da meta de inflação de 2% nesta primavera" local. Isso em si é "uma boa notícia", mas o movimento é afetado por uma combinação de efeitos de base de comparação e externos, comentou. E argumentou que é preciso cuidado para não ser vítima de um "falso senso de segurança sobre os acontecimentos na inflação no médio prazo por efeitos mecânicos da inflação mensal elevada de um ano atrás", bem como por surpresas de baixa nos preços de commodities internacionais, sobretudo em energia e alimentos.

Além disso, como terceiro ponto, Pill disse que continua a ter foco no "componente persistente" do CPI, que continuarão presentes no horizonte de 12 a 24 meses. Segundo ele, a persistência da inflação continua a ser resultado de três fatores: a inflação de serviços; o crescimento dos salários; e o mercado de trabalho apertado.

Pill disse que vê "sinais preliminares" de viés de baixa nos componentes persistentes da dinâmica inflacionária, mas ressalta que ainda se trata de algo preliminar. "Na minha visão, ainda temos um caminho pela frente até que essa evidência se torne conclusiva."

O dirigente afirmou que, mesmo em caso de confiança de que o componente persistente da inflação perca fôlego, isso não significa que o BoE poderia abandonar sua postura restritiva. Mas ponderou que manter a postura restritiva não significa necessariamente manter os juros. Ele recorda que os juros reais subirão, conforme a inflação e as expectativas para esta diminuírem, e diz que isso será levado em conta pelo BC. Além disso, notou que um corte no juro ainda poderia deixá-lo em "território restritivo".

O recuo de 0,2% no consumo das famílias no quaro trimestre de 2023 ante o terceiro trimestre de 2023 foi o primeiro resultado negativo após uma sequência de nove trimestres consecutivos de avanços. O resultado, porém, foi considerado uma estabilidade, segundo Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Consideramos estabilidade", afirmou Palis. "O consumo das famílias cresceu na comparação interanual."

Segundo a coordenadora do IBGE, embora a massa de salários em circulação na economia venha crescendo, a renda pode ser direcionada para outras finalidades que não o consumo.

"A massa salarial pode ser usada para poupar, para quitar dívida. Então pode usar a massa para outras questões que não o consumo", lembrou Palis.

Enquanto o Consumo do governo renovou patamar recorde no quarto trimestre de 2023, o consumo das famílias ficou ligeiramente abaixo do pico alcançado no terceiro trimestre de 2023.

No ano de 2023 em relação a 2022, o consumo das famílias avançou 3,1%, de acordo com os dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados pelo IBGE. O avanço foi impulsionado pela melhora no mercado de trabalho, alta na massa salarial, programas de governo de transferências de renda e arrefecimento do patamar de inflação no País.

"Apesar do programa de governo para melhorar isso, a gente ainda tem um elevado grau de endividamento das famílias", ponderou Palis.

O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial dos EUA caiu de 49,1 em janeiro para 47,8 em fevereiro, segundo pesquisa do Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês) divulgada nesta sexta-feira, 1. Um índice acima de 50 indica expansão e abaixo dessa marca, contração. O resultado de janeiro contrastou com expectativa de analistas consultados pela FactSet, que previam alta a 49,5. O subíndice de emprego caiu a 45,9,ante 47,1.O componente sobre preços pagos cedeu a 52,5, de 52,9 em janeiro. O subíndice de novas encomendas cedeu a 49,2, de 52,5.

A estabilidade vista no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro na passagem do terceiro trimestre para o quarto trimestre de 2023 configurou dois trimestres seguidos de estagnação, segundo os dados das Contas Nacionais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. Após uma revisão dos números divulgados anteriormente, o PIB do terceiro trimestre ante o segundo trimestre de 2023 saiu de uma ligeira alta de 0,1% para uma estabilidade (0,0%).

Questionada sobre a possibilidade de recessão técnica, a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, os números do PIB são analisados junto a um conjunto de outras informações sobre a atividade econômica para a datação de ciclos econômicos, numa metodologia de análise que não é adotada nem divulgada pelo IBGE. Ainda assim, ela refutou essa possibilidade de recessão, garantindo que o PIB está estável, situado ainda no maior patamar da série histórica.

"O PIB ficou estável", afirmou Palis. "Para se considerar recessão tem que se olhar várias outras coisas", refutou.

Segundo a pesquisadora, a estabilidade no PIB nos dois últimos trimestres tem relação com o desempenho positivo da agropecuária concentrado no início do ano.

"A agropecuária até tinha caído (no quarto trimestre), mas outras aumentaram para contrabalançar isso e ficar em 0%", acrescentou.

Segundo ela, houve efeito da base de comparação elevada proporcionada pelo salto extraordinário do PIB agropecuário no primeiro trimestre de 2023, que avançou 20,9% ante o trimestre imediatamente anterior. Por conta dessa base elevada, a alta no PIB Agropecuário foi sucedida por quedas no segundo trimestre (-6,4%), no terceiro trimestre (-5,6%) e no quarto trimestre (-5,3%).

"A agropecuária teve crescimento recorde em 2023", lembrou Palis.

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, avaliou que os dados mais recentes de inflação sugerem que o fenômeno climático El Niño pode ter afetado os preços de alimentos numa intensidade menor que a esperada.

Durante palestra no evento Hora da Retomada, promovido pelo Money Report, em São Paulo, Galípolo disse que historicamente o El Niño afeta mais a inflação do que a produção agrícola, e que o efeito do fenômeno sobre os preços incide mais sobre os alimentos in natura e a alimentação em domicílio.

No entanto, o efeito se revelou "bem comportado" no IPCA-15 mais recente, disse o diretor. "Precisa ver como acontece com os preços nas outras economias", acrescentou.

Galípolo reforçou que o Banco Central sempre olha para dentro da composição da inflação no momento de avaliar o cenário econômico, e em particular para alguns indicadores específicos dos núcleos de inflação e para os preços de serviços subjacentes.

Ele apontou que o mercado também faz isso, e que a interpretação dos dados não é mecânica nem para o Banco Central, nem para os agentes econômicos.

"O IPCA 15 saiu com um dado cheio melhor que o esperado. A primeira reação é positiva. Mas serviços subjacentes, que é um núcleo que o BC olha bastante porque tende a ter correlação alta com atividade e emprego, veio pior. Aí, um terceiro movimento. O que está pressionando é educação, que tem sazonalidade, e serviços de telefonia, que tem correlação talvez não tão forte com questão do emprego. Aí de novo vem uma leitura do mercado mais positiva", afirmou.

"A gente está acompanhando sempre a inflação. Muitas vezes fala do diferencial de juros, do câmbio, ou de outras variáveis do mercado de trabalho. Mas ao final do dia, a meta do BC não é emprego, câmbio, é inflação.

Arrecadação

Gabriel Galípolo também disse que é difícil identificar de onde vem especificamente a melhora na arrecadação do governo, que pode estar relacionada tanto a fatores temporários quanto a outros mais permanentes.

"Tem uma dificuldade de separar o que é decorrente de algo que não é recorrente, caso da taxação dos fundos, o que é resultado da política adotada no ano passado, de recomposição da base tributária, e recorrente, aquilo que corresponde à atividade mais resiliente", disse ele durante a palestra.

"A gente tem um pouco dos três ali, é possível dizer que atividade resiliente pode estar se revelando numa arrecadação mais positiva e sustentando isso", acrescentou.

Galípolo ressaltou que os dados mais recentes sobre a arrecadação conseguiram adiar a discussão sobre a necessidade de o governo federal alterar a meta de déficit primário deste ano e ajudaram a ancorar as expectativas sobre o resultado fiscal de 2024.

O Brasil alcançou uma necessidade de financiamento de R$ 67,4 bilhões em 2023 ante R$ 228,4 bilhões em 2022, segundo os dados das Contas Nacionais apuradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O saldo externo de bens e serviços, por sua vez, ficou em R$ 256,9 bilhões em 2023 ante R$ 44,9 bilhões em 2022. Houve, portanto, um salto de R$ 212,0 bilhões.

Já a renda líquida de propriedade enviada ao resto do mundo ficou em R$ 330,4 bi em 2023 ante R$ 292,7 bilhões em 2022. O aumento foi, portanto, de R$ 37,7 bilhões.

FBCF

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) recuou 3,0% em 2023, derrubada pelo desempenho negativo do componente máquinas e equipamentos. Dentro da FBCF, o componente de máquinas e equipamentos caiu 9,4% em 2023, enquanto o componente de construção diminuiu 0,2%. Já o componente de outros ativos avançou 5,8%. As máquinas e equipamentos respondem por 37,8% da FBCF, enquanto a construção responde por 45,5%, e os outros ativos, 16,8%.

O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria dos Estados Unidos subiu de 50,7 em janeiro a 52,2 na leitura final de fevereiro, informou nesta sexta-feira a S&P Global. O número veio acima da estimativa de analistas ouvidos pela FactSet e da leitura preliminar, de alta menor a 51,5. O indicador também ficou acima de 50, indicando expansão da atividade.

O resultado representa o mais rápido ritmo de crescimento desde julho de 2022, de acordo com a S&P Global. A agência disse ainda que a expansão foi apoiada por uma alta renovada na produção e uma aceleração em novos pedidos.

"Depois de um longo período de redução de estoques para reduzir custos, as fábricas agora estão reconstruindo cada vez mais os níveis de estoques nos armazéns, aumentando a demanda de insumos e aumentando a produção a um ritmo nunca visto desde o início de 2022. Existem também sinais de uma demanda mais forte por bens de consumo, ligados em parte a sinais de abrandamento da crise do custo de vida", disse o economista-chefe de Negócios da S&P Global Market Intelligence, Chris Williamson, em comunicado.

O índice de sentimento do consumidor nos Estados Unidos, elaborado pela Universidade de Michigan, recuou de 79,0 em janeiro a 76,9 na leitura final de fevereiro, informou a própria instituição nesta sexta-feira. O resultado contrariou a leitura preliminar e a expectativas de analistas ouvidos pela FactSet, que previam avanço a 79,6. As expectativas para a inflação em 12 meses avançaram em 10 pontos-base, de 2,9% em janeiro a 3,0% em fevereiro, confirmando a prévia do dado. Já para o intervalo de cinco anos, as expectativas de inflação se mantiveram em 2,9%.

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, considera que a coerência da instituição nas ações e sinalizações dadas ao mercado a respeito da trajetória da Selic ajudaram a ancorar as expectativas dos investidores em relação à economia.

Durante palestra no evento Hora da Retomada, promovido pelo Money Report, em São Paulo, Galípolo disse que o Banco Central ajudou a reduzir a volatilidade do mercado num momento de incertezas econômicas e geopolíticas, e que parte disso está relacionado ao uso do chamado forward guidance - a sinalização de potenciais decisões futuras do Comitê de Política Monetária, o Copom.

"Fica o desafio do ponto de vista do que pode acontecer, reforçando que acima do guidance está o data dependency. Tenho um guidance, mas digo que vai ocorrer se aquilo que está se imaginando se realizar", disse Galípolo.

O diretor ressaltou que pode haver um custo quando for necessário fazer a "retirada do plural" na sinalização sobre os cortes de juros. Ele se referia especificamente ao trecho do comunicado do Copom em que o colegiado afirma que espera redução de juros "nas próximas reuniões".

Segundo ele, este tipo de sinalização é de "altíssimo risco", especialmente para bancos centrais de países emergentes, porque há a possibilidade de o Comitê de Política Monetária "ser pego no contrapé" por mudanças no cenário.

"O BC do Brasil foi corajoso de iniciar cortes em 0,50 ponto porcentual e, simultaneamente, assumir guidance que está lá. Se engajou em esporte de alto risco que até agora se pagou", afirmou.

"A gente achou um ritmo de corte que permitiu ajustar o nível de contração da política monetária num cenário de desinflação, e simultaneamente num ritmo que dá tempo de a gente observar a velocidade de reação da economia nessas várias variáveis - como vai reagir a política monetária norte-americana, como as variáveis brasileiras vão reagir, o mercado de trabalho", acrescentou.

Os recordes na produção de soja, com alta de 27,1% em 2023 ante 2022, e de milho, que avançou 19% na mesma comparação, impulsionaram o PIB da agropecuária, que subiu 15,1% no ano passado, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse foi um crescimento recorde para agropecuária na série histórica do IBGE, iniciada em 1996, e para as lavouras dos dois produtos mencionados.

Segundo a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, com esse desempenho, a agropecuária foi a atividade que mais contribuiu para o resultado do PIB de 2023, que cresceu 2,9% ante 2022 e somou R$ 10,9 trilhões. "Um terço do crescimento econômico em 2023 se deveu ao avanço da agropecuária", disse.

Quando somado ao resultado da indústria extrativa, puxada pela produção de minério e óleo e gás, as duas atividades responderam sozinhas pela metade da expansão do PIB em 2023. A especialista observou que esses dois setores foram os menos afetados pela pandemia de covid-19. "A agropecuária teve ganho de peso no PIB com a pandemia. Foi o setor que menos sofreu", disse.

Por ter "encadeamento" com outras atividades, a agropecuária ainda contribuiu de forma significativa para as exportações, observou a pesquisadora.

Palis disse que uma "conjunção de fatores" ajudou no crescimento da atividade no campo, o que passa pelo clima e o maior consumo de alimentos.

Comportamento em 2023

Ao observar o comportamento ao longo de 2023, Palis disse que o crescimento se concentrou no primeiro semestre do ano, e que no quarto trimestre de 2023, o PIB da agropecuária ficou 16,4% abaixo do pico registrado no primeiro trimestre daquele ano.

As contribuições negativas para o setor, mostrou o IBGE, ficaram a cargo da produção de laranja (-7,4%), arroz (-3,5%) e trigo, que caiu 22,8% em 2023 ante 2022.

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que o forte desempenho do agronegócio ajuda a explicar por que o Brasil teve um crescimento três vezes maior que o inicialmente previsto no ano passado, acompanhado por desaceleração da inflação.

"O agro consome menos hiato. Contribui entregando mais produção, ajudando no processo de desinflação", disse Galípolo durante palestra no evento Hora da Retomada, promovido pelo Money Report, em São Paulo.

Ele ressaltou, porém, que pode haver outros fatores ainda não percebidos contribuindo para o crescimento econômico e a desaceleração da inflação, e que explicariam a dificuldade em projetar o desempenho destas duas variáveis pelos especialistas.

"Existem fatores que são próprios do Brasil, mas acho que tem fatores globais que precisam ser levados em conta nessa dificuldade de explicação. Não são surpresas só decorrentes do fato de que existe discrepância entre o que se previa e ocorreu, mas discrepância na correlação entre variáveis", afirmou.

As guerras, segundo Galípolo, podem ser um dos fatores que exerce um efeito ainda não inteiramente compreendido sobre a economia, assim como as tensões geopolíticas e seus efeitos secundários, como a alteração nas cadeias logísticas e produtivas.

"A questão da guerra pode ter efeito mais duradouro, como o reshoring. As tensões geopolíticas passaram a influenciar decisões de investimento", afirmou

"Eu acho que nesse cenário de realocação das cadeias produtivas e de tensões geopolíticas, com as características que o Brasil tem e com o ciclo de política monetária nosso e dos países avançados, o Brasil tem bastante chance para se apresentar como um caso de eleição para recepção de boa parte desses recursos", acrescentou Galípolo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou no X, antigo Twitter, o resultado do PIB de 2023, divulgado nesta sexta-feira, 1, pelo IBGE. "O PIB do Brasil cresceu 2,9% em 2023, segundo o IBGE. Vocês lembram que a previsão de alguns era 0,9%? Crescemos bem mais que o previsto e vamos continuar trabalhando para crescer com qualidade e pela melhora de vida de todos", escreveu o presidente da República. É comum Lula dizer publicamente que o Brasil crescerá mais do que as estimativas do mercado. O resultado consolidado pelo IBGE dá força a esse discurso do presidente.

A primeira sessão de março na Bolsa brasileira é marcada pela divulgação do Produto Interno Bruto (PIB), que fechou o quarto trimestre com estabilidade, igual ao previsto, e encerrou 2023 com alta de 2,9%, inferior à mediana de 3,0% na pesquisa do Projeções Broadcast.

Os dados estimulam ganhos de algumas ações mais sensíveis ao ciclo de juros, no sentido de que reforçam as expectativas de manutenção do corte de meio ponto porcentual da Selic, que está em 11,25% ao ano.

Após reagiram com viés de baixa, os juros futuros passaram a subir moderadamente, seguindo a virada para cima dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, onde os investidores aguardam a dados de atividade e expectativas de inflação. A indicação era de abertura em leve baixa das bolsas americanas, após recordes recentes.

Segundo Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, a Selic no final do ciclo pode ir para a casa dos 8,00%. Isso, segundo ele, ainda não estaria totalmente levado em consideração no preço-alvo do Ibovespa. "A tendência é que o Índice Bovespa se alinhe aos ganhos do S&P 500 nos Estados Unidos. Na quinta-feira, 29, a XP Investimentos Faz Capital, associada à XP, elevou a projeção para o Ibovespa, de 142 mil para 149 mil pontos", conta, ressaltando, porém, que é preciso acompanhar os sinais sobre a política monetária dos EUA.

Ao mesmo tempo, entram como vetores positivos ao principal indicador da B3 a valorização perto de 2,00% do petróleo, em meio à renovação das tensões no Oriente Médio, e expectativas de novos estímulos à economia chinesa. As ações da Petrobrás avançavam.

Após dados de atividade com resultados divergentes na China, o minério de ferro encerrou o pregão desta sexta-feira em baixa de 1,75% em Dalian. Com isso, os papéis da Vale cedem, ainda refletindo o impasse sobre a permanência ou não do atual CEO no comando da mineradora. Já as ações de outras empresas do ramo metálico sobem.

"Os papéis da Vale entraram num circuito negativo por conta dessa tentativa do governo em querer indicar alguém para a diretoria da empresa, e ainda tem as questões na China, que tem tentando estimular sua economia que ainda não empolga", avalia Thiago Lourenço, operador de renda variável da Manchester Investimentos.

Mais cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB ficou estável no quarto trimestre, o que ficou igual à mediana das estimativas, que iam de queda de 0,4% a crescimento de 0,3%. Em 2023, a atividade doméstica cresceu 2,9%, taxa inferior à mediana de 3,00% das projeções.

O estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, afirma ver os números com bons olhos, à medida que o crescimento moderado da economia sugere menos pressão inflacionária.

Após a divulgação, o economista André Perfeito disse, em nota, manter sua projeção de crescimento de 2,2% para o PIB em 2024, "na esteira do consumo das famílias, da administração publica em ano eleitoral e do setor externo."

No governo, a expansão do PIB em 2,9% no ano passado, também ligeiramente abaixo da projeção do Ministério da Fazenda, de 3,0%, foi comemorada.

"O PIB veio bom. O Brasil vem numa sequência de alta, claro, desconsiderando 2020, época da pandemia de covid-19 quando caiu. E a expectativa é de que o PIB deste ano fique maior do que o esperado no boletim Focus, de 1,75%. Pode ficar acima de 2,00%", estima Pletes, da Faz Capital.

Na quinta, o Ibovespa fechou com queda de 0,87%, aos 129.020,02 pontos, mas encerrou fevereiro com elevação de 0,99%, depois de ceder 4,79% em janeiro.

Às 11h11 desta sexta, subia 0,20%, aos 129.281,33 pontos, após avançar 0,33%, na máxima aos 129.445,39 pontos, depois da mínima aos 129.025,52 pontos, quando teve variação zero.

Petrobras avançava entre 0,77% (PN) e 0,44% (ON), enquanto Vale ON cedia 0,61%. Já Gerdau PN subia 3,675, liderando as altas do setor de metais. Algumas ações mais sensíveis ao ciclo de juros ocupavam o grupo das oito maiores valorizações, caso de Lojas Renner ON, com 2,34%, e Casas Bahasi ON, com 3,43%.

Já MRVE ON puxava a lista das quedas, ao ceder 3,28%. A empresa teve prejuízo líquido consolidado de R$ 104,9 milhões no quarto trimestre de 2023, montante que representa uma perda 68% menor na comparação com o mesmo período de 2022, quando sofreu prejuízo de R$ 333 milhões. O balanço ficou abaixo das estimativas de mercado apuradas pelas Prévias Broadcast.

A mistura do biodiesel no óleo diesel nos postos passa de 12% para 14% a partir desta sexta-feira (1º), conforme definiu o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em dezembro de 2023. O cronograma do CNPE, que estabelece o mandato de 15% a partir de março do ano que vem, é uma sinalização do compromisso do colegiado com a previsibilidade e a segurança jurídica, dois aspectos fundamentais para garantir a produção do biocombustível, informou em comunicado a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio).

O presidente do Conselho Superior da Ubrabio, Juan Diego Ferrés, disse na nota que "o governo entendeu o potencial do biodiesel e reverteu os retrocessos impostos pelo governo anterior. A ampliação da mistura diminui a emissão de gases estufa, estimula a agricultura familiar, gera investimentos vultosos e fortalece nossa balança comercial a partir do aumento do farelo de soja para o mercado de proteína animal".

O Ministério do Comércio da China se comprometeu a ajudar empresas na exploração de mercados internacionais para ampliar seus pedidos e a expandir importações para garantir a demanda doméstica, em nota divulgada nesta sexta-feira, 1.

O comunicado detalha discussões da Conferência Nacional de Comércio Exterior, realizada entre os dias 29 de fevereiro e 1º de março em Pequim. "A reunião enfatizou a necessidade de entender a complexidade, severidade e incerteza da situação recente do comércio exterior", informou o ministério, se comprometendo a otimizar este ambiente e garantir a competitividade internacional de empresas e produtos chineses.

Em artigo separado, o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, falou sobre a importância e a necessidade de ampliar cooperação com os EUA, Europa, entre outros países, além de blocos econômicos - como o G20, a Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC, em inglês) e o Brics.

O Ministério do Comércio ressaltou ainda que o volume anual de importações e exportações atingiu 41,76 trilhões de yuans (US$ 5,8 trilhões) em 2023, um aumento de 0,2% na comparação anual. "A meta de promover estabilidade e melhorar a qualidade do comércio foi alcançada", disse o órgão.

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu o ritmo atual de cortes da taxa básica de juros, a Selic, de 0,50 ponto porcentual por reunião, argumentando que ele permite afrouxar a política monetária enquanto se monitora os potenciais riscos inflacionários.

Segundo ele, embora o nível elevado de juros reais na economia brasileira possa ser considerado excessivo por alguns setores, é preciso observar que o mercado de trabalho segue aquecido, as expectativas de inflação estão desancoradas e os bancos centrais de economias avançadas ainda não começaram a cortar os juros.

"Por isso, acho que a escolha de 50 pontos-base de corte se revelou ponderada, e que está entregando frutos positivos", afirmou, durante palestra no evento Hora da Retomada, promovido pelo Money Report, em São Paulo.

O Produto Interno Bruto (PIB) per capita alcançou R$ 50.193,72 no Brasil em 2023, um avanço real de 2,2% em relação ao ano anterior. Os dados são das Contas Nacionais apuradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou na manhã desta sexta-feira, 1, o desempenho do PIB. O PIB brasileiro cresceu 2,9% em 2023 ante 2022 e totalizou R$ 10,9 trilhões no ano, de acordo com o IBGE.

A alta de 2,9% no PIB brasileiro em 2023 contou com 2,0 pontos porcentuais do setor externo, informou o IBGE. Já a demanda interna respondeu por 0,9 ponto porcentual do crescimento da economia no ano. Esse comportamento inverte o verificado em 2022, quando a demanda interna contribuiu mais.

"Mesmo com contribuição bastante positiva do consumo das famílias, investimentos puxaram para baixo a demanda doméstica", observou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

O Índice de Gerentes de Compras que mede a atividade industrial, o PMI industrial, subiu no Brasil para 54,1 na leitura com ajuste sazonal de fevereiro, após marcar 52,8 em janeiro. A última marca do PMI industrial foi a maior em 20 meses, conforme a S&P Global, responsável pelo índice.

Leituras superiores a 50 indicam crescimento do setor na margem - ou seja, de um mês para o outro. Segundo a S&P Global, o resultado de fevereiro, bem acima da média de longo prazo (50,6), indica uma melhora substancial da saúde da indústria.

A agência vê uma evolução positiva na indústria de transformação brasileira, apontando menor pressão nas cadeias de produção e uma melhora significativa das condições de demanda, o que impulsionou novos pedidos e a produção. Como consequência, as empresas intensificaram as compras de insumos e contrataram funcionários na maior taxa em 19 meses.

Após desacelerar a 0,55% em fevereiro (em linha com a mediana do Projeções Broadcast, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) deve arrefecer a 0,30% em março, projeta o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) André Braz.

O movimento, afirma Braz, deve ser puxado pela descompressão dos alimentos in natura, em linha com a trajetória prevista de desaceleração para o grupo Alimentação. Além disso, o grupo Transportes deve voltar a perder força em março, com influência baixista da gasolina, diz o economista.

"Daqui para frente, vamos ver essa continuidade de alimentação em desaceleração, quem sabe com uma velocidade maior", afirma Braz. Da terceira para a quarta quadrissemana de fevereiro, o grupo desacelerou de 1,18% para 1,06%.

Braz também destaca altas previstas para alimentos tradicionais no período da Semana Santa, como ovo, bacalhau e peixe. No entanto, afirma que os efeitos de alta serão transitórios, em linha com a sazonalidade. "Mesmo que eles subam, não têm tanto peso e não serão fortes o suficiente para compensar a desaceleração dos in natura", acrescenta.

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, ressaltou que os bancos centrais estão mais cautelosos em tirar conclusões sobre a dinâmica da economia, que foi alterada pela pandemia e por eventos geopolíticos, e por isso continuam monitorando de perto os indicadores para tomarem decisões sobre a política monetária.

Durante palestra no evento Hora da Retomada, promovido pelo Money Report, em São Paulo, Galípolo disse que os dados apontam para uma atividade econômica mais aquecida do que se previa, o que sugeriria uma inflação mais pressionada, mas que nem sempre é o caso.

"Por isso vocês vão ouvir boa parte das autoridades monetárias dizer que estamos mais dependentes de dados, tentando fazer menos projeções e inferir projeções a partir das correlações usualmente esperadas, e observando mais como as coisas vão acontecer", disse Galípolo.

"Você se arriscar um pouco mais, fazer projeções baseadas em como as coisas costumavam se comportar, pode te pagar bem se conseguir acertar, mas ao mesmo tempo, se errar, você enquanto médico pode causar dano ao paciente", acrescentou. "Nossa função é causar o mínimo de dano e de volatilidade."

Segundo Galípolo, isso necessariamente deixa o Banco Central mais cauteloso em suas decisões, o que pode gerar impaciência em alguns setores.

"A gente usou serenidade e parcimônia no comunicado do Copom. É uma maneira de dizer que precisamos ser humildes. Talvez possa causar um pouco de atraso em ter convicção em relação à direção que a coisa está andando. Na correlação de riscos, talvez seja o que cause menos danos, e possa ser mais eficiente do ponto de vista do objetivo do Banco Central", acrescentou.

Dez das doze atividades econômicas registraram crescimento em 2023, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística com base em dados das suas Contas Nacionais. O órgão divulgou nesta sexta-feira, 1, o resultado do PIB de 2023, com crescimento de 2,9% ante 2022. O PIB do quarto trimestre de 2023 cresceu 2,1% ante um ano atrás.

O segmento de informação e comunicação avançou 2,6% em 2023 ante 2022 e, o de transporte e armazenagem, também cresceu os mesmos 2,6%.

O setor de produção de eletricidade e água cresceu 6,5% em 2023 ante 2022. "Houve condições hídricas favoráveis e a bandeira verde vigorou durante todo o ano de 2023. Além disso, o fenômeno climático El Niño aumentou a temperatura média, impactando o consumo de água e energia", disse a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

O comércio subiu 0,6% em 2023 ante 2022. Já as atividades financeiras avançaram 6,6%, e as atividades imobiliárias tiveram expansão de 3,0%.

A construção recuou 0,5% em 2023, e as outras atividades de serviços subiram 2,8%. Administração pública e seguridade social teve elevação de 1,1% em 2023 ante 2022.

A indústria de transformação caiu 1,3% em 2023 em relação a 2022. Segundo Rebeca Palis, uma das razões por trás desse encolhimento é a política monetária restritiva, com manutenção dos juros em nível alto que rebaixa os investimentos e os planos de expansão da produção.

As indústrias extrativas, por sua vez, cresceram 8,7%. Segundo Rebeca Palis, isso se deve ao aumento da extração de petróleo e gás natural e de minério de ferro ao longo do ano.

Já a agropecuária avançou 15,1% em 2023 ante 2022. "Esse comportamento foi puxado muito pelo crescimento de soja e milho, duas das mais importantes lavouras do Brasil, que tiveram produções recorde", disse a coordenadora.

O dólar ajusta-se em baixa nos primeiros negócios desta sexta-feira, 1, em meio à leitura dos dados do PIB brasileiro no 4º trimestre, queda dos juros dos Treasuries após desaceleração da inflação na zona do euro e valorização de commodities. O minério de ferro subiu 1,75% em Dalian e o petróleo exibe ganhos de mais de 1,5% desde cedo.

Há expectativas ainda de possível anuncio de novos estímulos durante as reuniões plenárias anuais do governo chinês, na próxima semana. Os PMIs industrial da China vieram inconcusivos, com o dado oficial em baixa em fevereiro e a leitura do setor privado em alta.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou estabilidade no quarto trimestre de 2023 ante o terceiro trimestre de 2023, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio em linha com a mediana das previsões de analistas consultados pelo Projeções Broadcast, que apontava estabilidade. O intervalo das estimativas ia de um recuo de 0,4% a uma alta de 0,3%.

Na comparação com o quarto trimestre de 2022, o PIB apresentou alta de 2,1% no quarto trimestre de 2023, ligeiramente abaixo da mediana das projeções, que apontava avanço de 2,2%. O intervalo das previsões, neste caso, ia de elevação de 1,4% a 3,5%. No fechamento de 2023, o PIB cresceu 2,9% ante 2022, resultado também ligeiramente menor que a mediana das projeções do mercado (+3,0%). O intervalo das estimativas ia de alta de 2,8% a 3,2%.

Em relação à inflação da zona do euro, o ING avalia que o BCE permanecerá confortável em optar pela manutenção dos juros em março, na decisão da próxima semana, se afastando da possibilidade de cortes enquanto espera novos dados. O dirigente do Banco Central Europeu (BCE) e presidente do BC da Áustria, Robert Holzmann, voltou a alertar sobre cortes de juros prematuros, segundo a Bloomberg. "Observamos os dados de inflação que chegam da Europa e dos outros países, e o que vemos é que eles confirmam minha opinião de que temos que esperar, temos que estar atentos e não podemos nos apressar em tomar uma decisão", disse Holzmann, em Viena, nesta sexta-feira.

O mercado deve olhar também os PMIs dos EUA, além de eventos com três dirigentes do Federal Reserve (Fed) em meio a dúvidas sobre o início de corte de juros nos Estados Unidos: Christopher Waller, diretor (12h15); Raphael Bostic, da regional de Atlanta (14h15); e Adriana Kugler, diretora (17h30). Aqui, o mercado está acompanhando palestra do diretor de Política Monetária do BC, Gabriel Galípolo, em evento do Money Report, que já começou.

Entre outros dados locais, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) arrefeceu a 0,55% em fevereiro, de 0,61% em janeiro, em linha com a mediana do Projeções Broadcast. Na terceira quadrissemana de fevereiro, a alta foi de 0,60%. Com o resultado, o índice acumula alta de 3,59% em 12 meses. A variação do IPC-S no mês ficou em linha com a mediana do Projeções Broadcast, que apontava desaceleração a 0,55% para o índice, com intervalo entre 0,50% e 0,60%.

O Índice de Confiança Empresarial (ICE) caiu 0,7 ponto em fevereiro ante janeiro, a primeira queda em nove meses, para 94,0 pontos, informou mais cedo a Fundação Getulio Vargas (FGV). Entre junho de 2023 e janeiro de 2024, o índice tinha acumulado um avanço de 4,5 pontos.

Às 9h50 desta sexta-feira, o dólar à vista caía 0,21%, aos R$ 4,9616. O dólar futuro para abril cedia 0,20%, aos R$ 4,9740.

A Justiça de São Paulo deu 30 dias para a Meta, empresa que administra Facebook, Instagram e WhatsApp, deixe de usar o nome no Brasil. A multa diária em caso de descumprimento é de R$ 100 mil. Cabe recurso. O Estadão entrou em contato com a assessoria de imprensa da Meta e aguarda resposta. O espaço está aberto para manifestação.

A decisão foi tomada pela 1.ª Câmara de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça a pedido de uma empresa brasileira, também do segmento de tecnologia, que detém o registro da marca, concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), desde 2008.

A Meta Serviços em Informação S/A, especializada no desenvolvimento e licenciamento de softwares, alega no processo que vem sofrendo transtornos por ser confundida com a big tech.

A empresa relata, por exemplo, visitas de usuários insatisfeitos à sua sede, em Barueri, na região metropolitana de São Paulo, e a inclusão indevida no polo passivo de ações judiciais.

O desembargador Azuma Nishi, relator do processo, concluiu que a convivência das duas empresas é "inviável", dada a coincidência da área de atuação, e defendeu que o direito de exclusividade deve ser concedido a quem recebeu primeiro o registro do INPI.

"Não bastasse a titularidade dos registros da marca "Meta" pela autora, cujas concessões remontam há quase duas décadas, verifica-se que a aludida propriedade industrial tem sido incessantemente por ela empregada visando à identificação de seus produtos e serviços desde o ano de 1996, tendo sido investidas vultosas quantias objetivando seu amplo reconhecimento tanto no cenário nacional quanto internacional", diz um trecho do voto.

A decisão foi unânime.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revisou o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre de 2023 ante o segundo trimestre de 2023, que passou de alta de 0,1% para estabilidade. O órgão também revisou a taxa do PIB do segundo trimestre do ano passado ante o primeiro trimestre de 2023, de alta de 0,1% para alta de 0,8%.

Uma terceira revisão aconteceu para o PIB do primeiro trimestre de 2023 ante o quarto trimestre de 2022, de alta de 1,4% para alta de 1,3%. A última revisão do IBGE é relativa ao quarto trimestre de 2022 ante o terceiro trimestre de 2022, de queda de 0,1% para alta de 0,2%

Os dados foram divulgados pelo IBGE, que anunciou na manhã desta sexta-feira, 1, hoje os resultados das Contas Nacionais Trimestrais.

O Produto Interno Bruto (PIB) subiu 2,9% em 2023 na comparação com 2022 e somou R$ 10,9 trilhões no ano, segundo os dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 1.

O resultado veio dentro das projeções Broadcast, que se estendiam de uma alta de 2,8% a 3,2%, com mediana positiva de 3,0%.

Desagregando por atividade, o PIB da agropecuária foi o que mais subiu, com alta de 15,1% em 2023 ante 2022. O PIB de serviços, por sua vez, subiu 2,4% nessa mesma comparação e, o da indústria, 1,6%.

Segundo o IBGE, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) caiu 3% em 2023 ante o ano anterior. Também nessa comparação, o consumo das famílias subiu 3,1% e o consumo do governo subiu 1,7%.

As exportações cresceram 9,1% em 2023 na comparação com 2022, enquanto as importações caíram 1,2%. A taxa de investimento ficou em 16,5% em 2023 e, a taxa de poupança, em 15,4%.

Os juros futuros operam com viés de baixa em toda a curva na manhã desta sexta-feira, 1, em sintonia com os retornos dos Treasuries e o dólar, e após o Produto Interno Bruto (PIB) do 4º trimestre ter vindo estável, na margem, como era esperado, o que deve reforçar a expectativa de mais cortes de 50 pontos-base da Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nas "próximas reuniões", como tem sinalizado o BC. No fechamento de 2023, o PIB cresceu 2,9% ante 2022, resultado também ligeiramente menor que a mediana das projeções do mercado (+3,0%).

Às 9h22, a taxa do contrato de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 marcava 9,950%, de 9,956% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2026 estava em 9,765%, de 9,784%, e o para janeiro de 2027 recuava para 9,955%, de 9,976% no ajuste de ontem. O vencimento para janeiro de 2029 caía para 10,390%, de 10,411%.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou estabilidade no quarto trimestre de 2023 ante o terceiro trimestre, informou nesta sexta-feira, 1, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o quarto trimestre de 2022, o PIB apresentou alta de 2,10%. Ainda segundo o instituto, o PIB do quarto trimestre de 2023 totalizou R$ 2,831 trilhões.

O resultado veio em linha com a mediana das previsões de analistas consultados pelo Projeções Broadcast, que apontava estabilidade. O intervalo das estimativas ia de um recuo de 0,4% a uma alta de 0,3%.

No fechamento de 2023, o PIB cresceu 2,9% ante 2022, resultado também ligeiramente menor que a mediana das projeções do mercado (+3,0%). O intervalo das estimativas ia de alta de 2,8% a 3,2%.

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) arrefeceu a 0,55% no encerramento de fevereiro, após fechar janeiro com variação de 0,61%. Na terceira quadrissemana de fevereiro, a alta foi de 0,60%. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira, 1, pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o resultado, o índice acumula alta de 3,59% em 12 meses.

A variação do IPC-S no mês ficou em linha com a mediana do Projeções Broadcast, que apontava desaceleração a 0,55% para o índice, com intervalo entre 0,50% e 0,60%.

Nesta leitura, quatro das oito classes de despesas desaceleraram em relação à quadrissemana anterior: Educação, Leitura e Recreação (-0,14% para -1,17%), Alimentação (1,18% para 1,06%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,61% para 0,56%) e Comunicação (0,48% para 0,43%).

O arrefecimento desses grupos foi puxado, respectivamente, por cursos formais (1,82% para 0,00%), hortaliças e legumes (7,45% para 5,75%), artigos de higiene e cuidado pessoal (1,14% para 0,95%) e combo de telefonia, internet e TV por assinatura (0,86% para 0,49%).

Houve, por outro lado, aceleração em Transportes (0,63% para 0,87%),Habitação (0,23% para 0,32%), Vestuário (0,06% para 0,34%) e Despesas Diversas (1,81% para 2,05%), puxados, respectivamente, por gasolina (1,70% para 2,60%), aluguel residencial (1,50% para 2,98%), calçados femininos (-0,84% para -0,08%) e serviços bancários (2,80% para 3,51%).

Influências

As maiores influências individuais que puxaram o índice para baixo nesta leitura do IPC-S partiram de passagem aérea (-5,21% para -6,51%), tarifa de eletricidade residencial (-1,04% para -1,50%), condomínio residencial (-0,11% para -0,33%), licenciamento - IPVA (-0,17% para -0,17%) e creme dental (-0,16% para -1,36%).

Na outra ponta, puxaram o índice para cima gasolina (1,70% para 2,60%), aluguel residencial (1,50% para 2,98%), serviços bancários (2,80% para 3,51%), batata-inglesa (19,08% para 10,02%) e plano e seguro de saúde (0,65% para 0,65%).

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que o acordo bipartidário de financiamento alcançado na noite desta quinta-feira, 29, que evita uma paralisação temporária do governo, é uma "boa notícia" para o país. Biden, no entanto, disse que a solução é de curto prazo e cobrou que o Congresso aprove um projeto de lei de financiamento para o restante do ano. "É hora de os republicanos da Câmara colocarem a nossa segurança nacional em primeiro lugar e agirem com urgência para que este projeto de lei bipartidário chegue à minha mesa", afirmou Biden, em comunicado divulgado pela Casa Branca.

O setor do biocombustível quer assegurar o diferencial tributário recebido pelo setor na reforma tributária. A necessidade de manutenção do regime tributário diferenciado foi a prioridade levantada por entidades do setor durante seminário do grupo de trabalho das frentes parlamentares produtivas para a regulamentação da reforma tributária sobre o regime específico dos combustíveis e biocombustíveis.

O debate foi realizado na tarde desta quinta, 29, na Câmara dos Deputados. "A manutenção do diferencial tributário é essencial e a restituição do crédito sobre os insumos", disse o diretor de Relações Governamentais da União Nacional do Etanol do Milho (Unem), Bruno Alves.

O regime específico para combustíveis e biocombustíveis será regulamentado por lei complementar à reforma. Uma das preocupações do setor é com a unificação do diferencial tributário, já que atualmente o regime muda conforme os impostos cobrados em cada Estado.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O Índice de Confiança Empresarial (ICE) caiu 0,7 ponto em fevereiro ante janeiro, a primeira queda em nove meses, para 94 pontos, informou nesta sexta-feira, 1, Fundação Getulio Vargas (FGV). Entre junho de 2023 e janeiro de 2024, o índice tinha acumulado um avanço de 4,5 pontos.

"Os índices de Situação Atual e de Expectativas Empresariais do FGV IBRE sinalizam que os segmentos mais cíclicos da economia brasileira sustentam em fevereiro a tendência de aceleração iniciada no último trimestre do ano passado, mas que esta tendência pode perder força nos próximos meses. A revisão para baixo está associada principalmente às previsões menos otimistas para a evolução da demanda nos próximos três meses, especialmente nos setores do Comércio e de Serviços. Enquanto isso, as expectativas permaneceram estáveis na Indústria e melhoraram na Construção, demonstrando resiliência e otimismo deste setor em relação a 2024", avaliou Aloisio Campelo Júnior, superintendente de Estatísticas Públicas do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), em nota oficial.

O Índice de Confiança Empresarial reúne os dados das sondagens da Indústria, Serviços, Comércio e Construção. O cálculo leva em conta os pesos proporcionais à participação na economia dos setores investigados, com base em informações extraídas das pesquisas estruturais anuais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a FGV, o objetivo é que o ICE permita uma avaliação mais consistente sobre o ritmo da atividade econômica.

O Índice de Situação Atual Empresarial (ISA-E) subiu 0,7 ponto em fevereiro ante janeiro, para 95,8 pontos. O Índice de Expectativas (IE-E) recuou 2,2 pontos, para 92,1 pontos.

Entre as expectativas, o quesito que mede as perspectivas para a demanda nos três meses seguintes teve recuo de 3,5 pontos, para 90,3 pontos, com ajustes significativos nos segmentos do Comércio e dos Serviços. Já o componente que mede o ímpeto de contratações teve alta de 1,2 ponto, para 97,9 pontos, puxado pelo bom resultado da Indústria. O item que mede o otimismo com o ambiente de negócios seis meses à frente recuou 0,9 ponto, para 94,1 pontos.

Quanto ao momento presente, houve leve alta tanto no componente Demanda atual quanto no de Situação atual dos negócios.

Na passagem de janeiro para fevereiro, a confiança dos serviços caiu 1,5 ponto, para 94,2 pontos; a do comércio recuou 1,0 ponto, para 89,5 pontos; a da indústria ficou estável (0,0 ponto), em 97,4 pontos; e a da construção cresceu 1,8 ponto, para 97,6 pontos.

Em fevereiro, a confiança avançou em 51% dos 49 segmentos integrantes do ICE. "Houve um notável aumento da difusão de alta no setor de Construção e uma queda no de Serviços", acrescentou a FGV.

A coleta do Índice de Confiança Empresarial reuniu informações de 3.696 empresas dos quatro setores entre os dias 1 e 23 de fevereiro.

O trecho da medida provisória (MP) que trata da desoneração da folha de pagamentos dos municípios com até 142 mil habitantes se tornou foco de um novo embate entre o Planalto e o Congresso.

Um dia após o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), dizer que pretende negociar a retomada da medida, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou ontem que o tema "não é um assunto tão maduro" quanto o da desoneração dos 17 setores da economia.

A medida provisória 1202, assinada no fim do ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, revogou o dispositivo aprovado pelo Congresso que favorecia as prefeituras. O trecho também constava na MP da desoneração da folha de salários de 17 segmentos da economia. Na terça-feira, o governo só recuou nos artigos que tratavam do setor privado.

A lei aprovada pelo Congresso previa uma redução, de 20% para 8%, na contribuição das prefeituras.

Segundo Wagner, há um impasse maior no governo para uma solução sobre o assunto. "Não é um assunto tão maduro quanto era a desoneração, que já vinha vindo de longa data", afirmou.

Mesmo assim, o líder do governo disse que o governo "quer botar um ponto final" e resolver a situação dos municípios. Segundo ele, "as prefeituras pequenas de baixo orçamento não têm condição de pagar o que pagam" e, por isso, é preciso encontrar uma solução definitiva.

Na quarta-feira, 28, na sessão do Senado, Pacheco tinha dito que a não revogação do trecho da MP que afetava os municípios não indicava "uma quebra de acordo" do governo com o Congresso - ele se referia à pressão para que a reoneração dos 17 setores da economia fosse revertida. "Vamos ter uma solução", disse Pacheco.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A taxa de desemprego da zona do euro voltou à mínima recorde de 6,4% em janeiro, depois de subir levemente a 6,5% em dezembro, segundo dados com ajustes sazonais divulgados nesta sexta-feira, 1, pela agência oficial de estatísticas da União Europeia, a Eurostat. O resultado de janeiro veio em linha com a expectativa de analistas consultados pela FactSet. A taxa de dezembro foi levemente revisada para cima, de 6,4% originalmente. A Eurostat calcula que havia 11,009 milhões de desempregados na zona do euro em janeiro. Em relação a dezembro, o número de pessoas sem emprego na região teve queda de 34 mil.

O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria chinesa subiu de 50,8 em janeiro para 50,9 em fevereiro, informaram nesta sexta-feira, 1, a S&P Global e a Caixin. A leitura permaneceu acima da marca de 50, que indica atividade em expansão. O resultado veio acima das estimativas de especialistas consultados pelo FactSet, que projetavam queda a 50,6 para o PMI industrial. *Com informações da Dow Jones Newswires.

A reunião dos ministros das finanças e presidentes de bancos centrais do G-20 presidida pelo Brasil terminou nesta quinta-feira, 29, em São Paulo sem um comunicado conjunto, em razão da falta de consenso sobre a questão geopolítica, que envolve os conflitos na Ucrânia e na Faixa de Gaza.

"Havíamos nutrido a esperança de que temas mais sensíveis como geopolítica fossem debatidos no encontro de chanceleres", disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. No entanto, na reunião realizada no Rio de Janeiro na semana passada, não houve consenso.

O chamado "communiqué", muito usado em tratativas internacionais, é publicado ao final de eventos multilaterais e tem o objetivo de explicitar consensos entre os países que participam dos encontros.

Haddad disse que a reunião chegou a um consenso nos temas financeiros. Com dois pilares da tributação internacional, construídos na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a serem concluídos até o fim do ano, Haddad disse que o Brasil tomou a iniciativa de colocar em debate um terceiro: a fixação de uma alíquota mínima sobre a riqueza mundial. "Temos condição de buscar maior justiça tributária no mundo."

Palavra-chave

A divergência em torno de uma palavra não permitiu que a reunião de autoridades monetárias de todo o mundo terminasse com um comunicado conjunto. Segundo apurou a reportagem, o impasse ocorreu no trecho "war on Ukraine" (guerra sobre a Ucrânia) ou "war in Ukraine" (guerra na Ucrânia).

A Rússia defendia a última expressão enquanto os países mais ricos ocidentais do bloco brigaram pela primeira. As economias mais desenvolvidas também não queriam mencionar Israel no conflito com o Hamas, e defendiam que houvesse uma citação apenas à crise em Gaza.

"Chegou uma hora em que o impasse era tão pequeno que dizia respeito a uma palavra", afirmou o ministro, que não revelou qual era o termo. No entanto, reconheceu Haddad, "chega uma hora que a reunião termina". Haddad não citou quem estava irredutível.

Publicamente, o ministro das Finanças da Alemanha, Christian Lindner, declarou mais de uma vez que o país não assinaria o comunicado se não houvesse citação das guerras na Faixa de Gaza e na Ucrânia.

Clima já impacta expectativas e preços, diz Picchetti

O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Paulo Picchetti, disse ontem que as tensões geopolíticas em todo o mundo têm desdobramentos sobre o lado financeiro e econômico. Há ainda os riscos climáticos, lembrou ele, que já provocam efeitos na oferta de curto prazo em diferentes regiões do planeta.

"Já existem evidências de que o clima tem impacto sobre expectativas e preços, que em última análise estão afetando o balanço total de risco", disse o diretor do BC em conversa com jornalistas durante o G-20, em São Paulo.

"Há riscos pelo momento em que o mundo vive, o que envolve questões de tensões geopolíticas", afirmou o executivo da autoridade monetária.

Perguntado sobre as discussões para descongelar ativos russos e levar os recursos para a Ucrânia, como querem os Estados Unidos, Picchetti disse que o tema não foi tratado nas reuniões plenárias. Já o tema guerra - entre Rússia e Ucrânia e de Israel com o Hamas - apareceu durante os debates. Sobre os pagamentos transfronteiriços, Picchetti disse que teve muitas conversas sobre questões econômicas e tecnológicas para permitir que se transformem em realidade. A.S.J., E.L., C.C., L.A. e F.C.A.

BCE: Crescimento ainda é foco de preocupação

O dirigente do Banco Central Europeu (BCE) e presidente do BC da Itália, Fabio Panetta, disse ontem que a inflação global está caindo rapidamente, enquanto o crescimento econômico se manteve resiliente e avançou acima do esperado. Contudo, ele lembrou que há uma preocupação generalizada com relação ao ritmo de crescimento das economias, que classificou como "insatisfatório" e "heterogêneo" entre os países.

Os comentários foram feitos em entrevista, ao lado do ministro das Finanças da Itália, Giancarlo Giorgetti, ontem na reunião do G-20. Questionado sobre a inflação italiana, Giorgetti comemorou os números recentes, mas alertou que ainda não é hora de revisar o PIB diante do ambiente global desafiador.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A taxa anual de inflação ao consumidor (CPI, pela sigla em inglês) da zona do euro desacelerou para 2,6% em fevereiro, ante 2,8% em janeiro, segundo dados preliminares divulgados nesta sexta-feira, 1 pela agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat. A prévia do CPI de fevereiro, no entanto, ficou um pouco acima da expectativa de analistas consultados pela FactSet, que previam taxa de 2,5%. Já o núcleo do CPI, que desconsidera os preços de energia e de alimentos, teve acréscimo de 3,1% em fevereiro ante igual mês do ano passado, perdendo força em relação ao ganho anual de 3,3% de janeiro. Também neste caso, o consenso da FactSet para fevereiro era de aumento menor, de 2,9%.

O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial da Alemanha caiu de 45,5 em janeiro para 42,5 em fevereiro, atingindo o menor nível em quatro meses, segundo pesquisa final divulgada nesta sexta-feira, 1, pela S&P Global em parceria com o Hamburg Commercial Bank. O resultado definitivo de fevereiro, porém, ficou acima da estimativa preliminar e da previsão de analistas consultados pela FactSet, de 42,3 em ambos os casos. A leitura abaixo da marca de 50 indica que a produção manufatureira alemã segue em contração.

O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial do Reino Unido subiu de 47 em janeiro para 47,5 em fevereiro, atingindo o maior nível em dez meses, segundo dados finais publicados nesta sexta-feira, 1, pela S&P Global em parceria com a CIPS. O resultado definitivo de fevereiro veio acima da estimativa preliminar e da previsão de analistas consultados pela FactSet, de 47,1 em ambos os casos. A leitura abaixo de 50, no entanto, indica que a atividade manufatureira britânica segue em contração.

Composto pelo Grupo Comporte e a chinesa CRRC, o consórcio C2 Mobilidade sobre Trilhos fez a única oferta no leilão da concessão de implementação da linha de trem expresso de passageiros entre as cidades de São Paulo, Jundiaí e Campinas na tarde desta quinta-feira, 29, na B3. A parceria público-privada (PPP) prevê também criar uma linha que interligue Jundiaí, Louveira, Vinhedo, Valinhos e Campinas, no interior paulista, assim como mudanças na Linha 7-Rubi, da CPTM.

O consórcio fez a proposta de 0,01% de desconto na contraprestação que será paga pelo governo do Estado, cujo teto era de cerca de R$ 8 bilhões. Ligado à família Constantino (da Gol), o Grupo Comporte é responsável pela operação do VLT da Baixada Santista, que liga São Vicente a Santos, e do Metrô BH, na capital mineira, dentre outras atividades no ramo de transportes. Já a CRRC (sediada em Pequim) é uma das maiores referências internacionais no fornecimento de equipamentos ferroviários.

O Estado será responsável por pagar quase R$ 9 bilhões dos R$ 14,2 bilhões a serem investidos em infraestrutura, ficando o restante para o consórcio. Parte dos recursos estaduais virá do empréstimo de R$ 6,8 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Após o resultado do leilão, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) destacou a vontade de dar prosseguimento aos planos de outras interligações ferroviárias de passageiros da capital. A mais avançada é com Sorocaba, cujo estudo de viabilidade está em desenvolvimento e há leilão previsto para 2025. São José dos Campos e Santos também estão nos planos, com alguns desafios maiores, especialmente no caso da Baixada Santista (pelo relevo da Serra do Mar).

"É inovador, é o primeiro trem de média velocidade do País", afirmou Tarcísio. "Imagina como a dinâmica, a vida das pessoas, vai mudar. As pessoas vão poder morar em Campinas e Jundiaí e trabalhar em São Paulo. E vice-versa."

Tarcísio também citou outras concessões previstas para os próximos meses, como das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade (todas da CPTM) e dos serviços lotéricos estaduais, além das vendas da Sabesp e da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), dentre outras. "Vamos frequentar bastante a B3 neste ano", afirmou o governador.

O projeto era discutido havia pelo 20 anos. O interesse do consórcio formado pela Comporte e a CRRC já era discutido nos bastidores há semanas. Na segunda-feira, a CRRC teve uma reunião com o governador no Palácio dos Bandeirantes, conforme consta na agenda oficial, divulgada pelo Estado. Outro compromisso do tipo já havia ocorrido em agosto do ano passado.

Detalhamento

Não foram apresentadas outras propostas no leilão. "Esse trem vai mudar muito a história da nossa região", afirmou o secretário de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini, após o anúncio do resultado do leilão. O prefeito de Campinas, Dário Saadi (Republicanos), celebrou o resultado. "É uma conquista histórica. O trem vai impulsionar os negócios da região, facilitar o deslocamento das pessoas entre as cidades, abrir oportunidades, gerar emprego e renda."

Diretor institucional da Comporte e coordenador-geral do consórcio, José Efraim Neves da Silva, agradeceu ao governo por apresentar um projeto "exequível". "Para que possamos dar continuidade e gerar exemplos, para que outros também venham a participar e contribuir para o crescimento do Estado e da nossa nação", declarou.

Chamado de Trem Intercidades (TIC), o expresso tem trajeto com duração estimada de 1h04 a 1h15, entre o Terminal Palmeiras-Barra Funda, na zona oeste paulistana, e Campinas, com parada em Jundiaí. A velocidade média prevista é de 95 km/h. O valor médio estimado do bilhete é de R$ 50, com teto de R$ 64 (a ser atualizado anualmente, com base principalmente no IPCA). A operação das linhas do leilão desta quinta envolve construir novas vias para a circulação de trens, ao longo do trajeto já existente (utilizado para transporte de carga e, no trecho até Jundiaí, pela CPTM).

O traçado adotado data do século 19, de modo que envolve estações tombadas como patrimônio cultural na esfera estadual - as quais precisarão passar por restauro, readequações e, em alguns casos, conversão para novo uso, opção no caso de locais que terão uma nova estação. Segundo o Estado, optou-se pela implementação das novas linhas em vias ao longo do caminho já em atividade (pela CPTM e pelo transporte de cargas) para reduzir o custo com desapropriações.

Outros pontos

Há também determinação de implementação do chamado Trem Intermetropolitano (TIM), com estações em Jundiaí, Louveira, Vinhedo, Valinhos e Campinas. O trajeto seria de cerca de 44 km, com tempo estimado de 33 minutos e velocidade média de 80 km/h. Nesse caso, a tarifa dependerá da distância percorrida. O previsto é que chegue a cerca de R$ 14 no trecho entre Jundiaí e Campinas, com menor valor em trajetos mais curtos. A estimativa é de que cada trem transporte 2.048 passageiros.

Na Linha 7-Rubi, o Estado calcula que a operação poderá ficar mais ágil. A estimativa é que caia em quase pela metade o intervalo entre trens nos horários de pico, chegando a cerca de 3,5 minutos. Estima-se que a soma do TIC, do TIM e da Linha 7-Rubi chegue a transportar mais de 550 mil pessoas diariamente no primeiro ano.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial da zona do euro caiu marginalmente entre janeiro e fevereiro, de 46,6 para 46,5, segundo pesquisa final divulgada nesta sexta-feira, 1, pela S&P Global em parceria com o Hamburg Commercial Bank. A leitura definitiva de fevereiro, no entanto, ficou acima da estimativa preliminar e da previsão de analistas consultados pela FactSet, de 46,1 em ambos os casos. O resultado abaixo da barreira de 50, por outro lado, indica que a produção manufatureira do bloco segue em contração.

Por Sergio Caldas

São Paulo, 01/03/2024 - As bolsas europeias operam em alta na manhã desta sexta-feira, acompanhando o tom positivo de Wall Street ontem, enquanto investidores avaliam dados de atividade manufatureira da região e aguardam números da inflação da zona do euro.

Por volta das 6h35 (de Brasília), o índice pan-europeu Stoxx 600 avançava 0,50%, a 497,09 pontos.

Ontem, as bolsas de Nova York tiveram ganhos generalizados, com recorde do Nasdaq, após dados da inflação PCE dos EUA mostrarem desaceleração e virem em linha com o esperado, preservando o cenário de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) poderá anunciar seu primeiro corte de juros em junho.

Logo mais, será divulgada prévia da inflação ao consumidor (CPI) da zona do euro, e a expectativa é de manutenção da tendência de queda. Nas últimas semanas, o Banco Central Europeu (BCE) vem sinalizando que só considerará a hipótese de reduzir juros quando tiver confiança de que a inflação está se encaminhando para sua meta oficial, de taxa de 2% no médio prazo.

Rodada de PMIs mostrou há pouco que a atividade manufatureira na Europa segue em contração, mas em ritmo mais contido do que se imaginava. Na zona do euro, o PMI industrial caiu a 46,5 em fevereiro, mas ficou acima da estimativa preliminar. Os PMIs equivalentes da Alemanha (42,5) e do Reino Unido (47,5) também foram revisados para cima.

Nas próximas horas, serão publicados PMIs industriais dos EUA, além de pesquisa da Universidade de Michigan sobre confiança do consumidor americano e expectativas de inflação. Já na China, os últimos PMIs de manufatura vieram divergentes, com o oficial em queda e o não oficial em alta.

Às 6h51 (de Brasília), a Bolsa de Londres subia 0,84%, a de Paris avançava 0,16% e a de Frankfurt ganhava 0,64%. Já as de Milão, Madri e Lisboa tinham altas de 1,08%, 0,58% e 0,72%, respectivamente.

Contato:[email protected]

Por Sergio Caldas*

São Paulo, 01/03/2024 - As bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam majoritariamente em alta nesta sexta-feira, com recordes em Tóquio e Sydney e as da China avançando na expectativa de mais medidas de estímulos e após dados de atividade manufatureira.

Liderando os ganhos na região asiática, o índice japonês Nikkei subiu 1,90% em Tóquio, a 39.910,82 pontos, novo pico histórico, com a ajuda de ações dos setores de eletrônicos e financeiro.

Na China continental, os mercados estenderam ganhos do pregão anterior, à medida que investidores digeriram indicadores divergentes da manufatura e seguiram apostando que lideranças do país tomarão novas iniciativas de estímulos em reuniões que começam na semana que vem. O Xangai Composto teve ganho de 0,39%, a 3.027,02 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 1,08%, a 1.725,39 pontos.

Para analistas do HSBC, autoridades em Pequim deverão assumir uma postura fiscal mais proativa, durante as chamadas sessões plenárias anuais, e oferecer um plano mais concreto para sustentar as bolsas chinesas, que enfrentaram turbulências recentes.

No âmbito macroeconômico, pesquisa oficial mostrou que o PMI industrial chinês recuou levemente em fevereiro, a 49,1, contrariando previsão de estabilidade e permanecendo abaixo da marca de 50 que sugere contração da atividade manufatureira. Já o levantamento da S&P Global/Caixin apontou leve aumento do PMI industrial da China no mês passado, a 50,9, driblando expectativa de queda e sinalizando expansão da atividade. Em nota a clientes, o Commerzbank ressaltou que as pesquisas têm perfis diferentes e que a leitura oficial é mais abrangente.

Em outras partes da Ásia, o Hang Seng avançou 0,47% em Hong Kong, a 16.589,44 pontos, mas o sul-coreano Kospi caiu 0,37% em Seul, a 2.642,36 pontos, e o Taiex recuou 0,16% em Taiwan, a 18.935,93 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana encerrou a sessão em máxima histórica, impulsionada por ações relacionadas a lítio e tecnologia. O S&P/ASX 200 avançou 0,61% em Sydney, à pontuação inédita de 7.745,60.

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*Com informações da Dow Jones Newswires

O custo tributário do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) aos cofres públicos foi de, no máximo, R$ 6,5 bilhões em 2023, segundo estudo elaborado pela consultoria Tendências e chancelado por dez associações do setor.

O valor vai ao encontro das cifras que vêm sendo alegadas pelo segmento, mas é menos da metade do que a divulgada pela equipe econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o Ministério da Fazenda, no ano passado, o programa gerou uma perda de receita de R$ 17 bilhões.

Criado durante a pandemia de covid-19, o Perse envolve renegociação de dívidas, concessão de empréstimos e incentivo fiscal para o setor de eventos. O programa, porém, foi revogado no fim do ano passado pela medida provisória (MP) da reoneração da folha de pagamentos, num esforço do governo para melhorar a arrecadação e, consequentemente, o resultado fiscal - em 2024, a promessa da equipe econômica é de zerar o rombo das contas públicas.

Na terça-feira, 28, o governo editou uma nova MP revertendo a reoneração da folha e, na quarta, enviou um projeto de lei sobre o tema. O fim do Perse, porém, foi mantido na MP anterior. A extinção do programa enfrenta forte resistência no Congresso.

Desde a primeira MP, editada no último dia útil de 2023, governo e empresas do setor abriram uma disputa sobre o real valor do programa. O impacto fiscal inicial foi estimado pela equipe econômica em R$ 4,4 bilhões por ano; mas, de acordo com o governo, seu custo se provou bem superior.

A Fazenda alega ainda que a perda de receita pode ser ainda maior, uma vez que a Receita Federal alega indícios de fraudes e lavagem de dinheiro por meio do programa. Com isso, os custos poderiam ter chegado até R$ 32 bilhões no ano passado, segundo a equipe econômica. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que abriria os dados do Perse e enviaria ao Congresso Nacional.

Para calcular o custo do Perse, a consultoria Tendências criou uma metodologia com o objetivo de estimar a receita bruta do setor em 2023 e, consequentemente, qual teria sido o pagamento de tributos - Imposto de Renda Pessoa Jurídica, CSLL, Pis/Cofins.

A análise de dados contou com dados da Receita Federal e da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento mostra ainda que a recuperação do setor de eventos é uma das mais fracas desde o início da pandemia de covid. No recorte de fevereiro de 2020 até novembro do ano passado, o setor de turismo cresceu 2,2%, abaixo do avanço de 10,8% dos serviços e de 7,8% do comércio.

"Comparado com a atividade econômica nacional e setores semelhantes, eventos e turismo apresentam um menor desempenho, motivando preocupações com uma eventual retirada abrupta do Perse", diz o documento.

Até a publicação deste texto, o Ministério da Fazenda ainda não se manifestou sobre o estudo do setor empresarial.

Embate de valores

Em entrevista ao Estadão/Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), a relatora do Perse na Câmara, deputada Renata Abreu, presidente do Podemos (SP), afirmou que há divergência no valor da renúncia fiscal alegada pelo setor, de R$ 4 bilhões a R$ 6 bilhões, e pela equipe econômica, de R$ 17 bilhões.

"A gente precisa dialogar para compreender de onde está vindo essa diferença do que consta para a gente nos dados oficiais e o que o governo alega. Sem diálogo, é impossível se estabelecer discussão", afirmou.

Em manifesto elaborado por frentes do Congresso ligadas ao turismo, à hotelaria e ao empreendedorismo, parlamentares alegaram que os valores apresentados pelo governo são "superdimensionados, não havendo como o programa passar dos R$ 5 bilhões por ano, muito abaixo da faixa entre R$ 17 bilhões e R$ 32 bilhões alegados".

Como mostrou o Estadão, aliados do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), vêm pressionando Haddad pela continuidade do programa.

O ministro, por sua vez, segue afirmando que entende a controvérsia sobre os valores do Perse, mas que não trabalha com "achismo" e que os números divulgados estão baseados em dados da Receita Federal.

"O setor não tem como saber o que foi informado para a Receita Federal. Tenho maior simpatia, tenho boa vontade, mas eles não podem ter uma informação mais precisa do que a própria Receita Federal, que inclusive recebe dos contribuintes o informe. É até assimétrico isso", disse o ministro em entrevista à jornalista Míriam Leitão na GloboNews, na semana passada.

"Então, nós vamos levar os dados oficiais para o Congresso Nacional. Nós não trabalhamos com achismo aqui. Aqui é documento. São coisas que são auditadas para o Tribunal de Contas da União", afirmou.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse a jornalistas no início da noite que a reunião do G-20 transcorreu muito bem, e chegou a um consenso nos temas financeiros, mas, na questão geopolítica, houve um impasse, segundo o ministro, devido aos conflitos em curso: guerra da Rússia na Ucrânia e de Israel com o Hamas.

O Brasil, como presidente atual do G-20, vai redigir um texto com o consenso alcançado na trilha financeira, a ser divulgado nas próximas horas. Para o comunicado final, houve a insistência de alguns membros para que contassem as questões geopolíticas.

"Havíamos nutrido a esperança de que temas mais sensíveis, como geopolítica, fossem debatidos no encontro de chanceleres", disse Haddad. Mas na reunião realizada no Rio de Janeiro na semana passada, não houve consenso.

"Os temas propostos pelo Brasil foram bem recebidos", afirmou ao fazer um balanço da reunião. "O tema da desigualdade foi muito valorizado", disse o ministro. "A questão da tributação internacional vem avançando muito", completou.

Haddad participou pela primeira vez do evento presencialmente nesta quinta-feira, após se recuperar da covid.

O Banco Central divulgou nesta quinta-feira, 29, o resultado da Pesquisa de Estabilidade Financeira (PEF), realizada trimestralmente junto às instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Na comparação com a pesquisa anterior, ainda que tenha havido leve queda, os riscos advindos do cenário internacional continuam como os mais importantes. O objetivo da PEF é captar a percepção das instituições financeiras sobre os principais riscos à estabilidade financeira no horizonte dos próximos três anos.

"Os riscos advindos do cenário internacional, apesar da queda relativamente à pesquisa anterior, continuam como os mais importantes, sendo sustentados, principalmente, por preocupações relacionadas a conflitos geopolíticos e com a inflação mais persistente levando a uma política monetária restritiva por mais tempo", diz o documento.

A pesquisa também alerta que os riscos fiscais cresceram na margem, com destaque para preocupações com a estabilidade da dívida pública. Os riscos operacionais e regulatório cresceram neste trimestre. "Riscos operacionais se tornam cada vez mais relevantes em decorrência de crescentes preocupações com fraudes, ataques cibernéticos e riscos subjacentes à expansão da digitalização de atividades financeiras", descreve a PEF.

Segundo o BC, o impacto esperado médio total ficou relativamente estável comparativamente à pesquisa anterior, considerando a queda da contribuição de riscos do cenário internacional e de inadimplência, e aumento da contribuição de riscos operacionais e regulatório.

Na parte da pesquisa sobre os ciclos econômico e financeiro, houve uma percepção mais positiva sobre o ciclo econômico, que reverteu a piora na pesquisa anterior. Neste trimestre, mais IFs avaliam que a economia está em recuperação, com redução dos que consideram o movimento de contração, que ainda são maioria. O documento também destaca que as percepções sobre o hiato da relação crédito/PIB continuam heterogêneas, com predomínio de avaliação de estabilidade, mas com aumento da avaliação de alta.

O grau de alavancagem de empresas e famílias é percebido como elevado, mas empresas têm tendência de estabilidade e famílias, de queda. "As condições financeiras, em geral, melhoraram, com destaque para o fortalecimento da percepção de tendência de alta na disposição das IFs para tomar risco e no preço de ativos em relação aos fundamentos da economia, além de avaliação positiva sobre o acesso a funding e meios de liquidez", diz o documento.

O índice de confiança na estabilidade do SFN segue elevado e a maioria dos respondentes considera que o valor do Adicional Contracíclico de Capital Principal relativo ao Brasil (ACCPBrasil) deve ser mantido.

Depois da queda de 4,79% ao longo de janeiro, o Ibovespa encerrou fevereiro com leve recuperação de 0,99%, aparada ao fim por perdas em torno de 1%, cada, nas últimas duas sessões do intervalo. Hoje, o índice da B3 caiu 0,87%, aos 129.020,02 pontos, vindo de retração de 1,16% no dia anterior, que o havia retirado do maior nível de fechamento desde 8 de janeiro, anteontem, quando tinha subido 1,61%, então perto dos 131,7 mil. Nesta quinta-feira, o Ibovespa oscilou dos 128.669,29 aos 130.154,84, em máxima do dia que coincidiu com a abertura, assim como ontem. O giro foi a R$ 28,9 bilhões na sessão.

Após o tombo de mais de 5% para Petrobras ON e PN ontem, com a reponderação das expectativas sobre dividendos - tendo em vista os sinais dados pelo presidente da estatal, Jean Paul Prates -, as ações da empresa seguiram em baixa, hoje de 0,91% (ON) e de 0,72% (PN), no fechamento. O dia também foi negativo para as ações de grandes bancos, com destaque para Itaú (PN -2,47%). Na ponta ganhadora do Ibovespa, Marfrig (+3,88%), JBS (+2,72%) e Petz (+2,21%). No lado oposto, Pão de Açúcar (-8,62%); Ambev (-6,47%), após resultados trimestrais, e Ultrapar (-3,86%).

Na última sessão de janeiro, o dólar havia fechado a R$ 4,9374 e, ao longo de fevereiro, teve alta de 0,72% frente à moeda brasileira, a R$ 4,9725, Assim, ao fim de janeiro, o índice da B3, em dólar, estava em 25.874,40 pontos, refletindo então o avanço de 1,73% da moeda americana no mês, frente ao real, e a queda de 4,79% acumulada pelo Ibovespa no primeiro mês do ano. Agora, na moeda americana, o Ibovespa foi um pouco além, a 25.946,71 pontos, mas ainda bem abaixo do nível de fechamento de 2023, aos 27.647,67 pontos, quando o índice da B3 estava em suas máximas históricas nominais.

"A queda nesta última sessão do mês foi muito puxada pelas ações de bancos, basicamente em realização de lucros - à exceção de Bradesco, que já vinha depreciado desde o último balanço - e pelo prosseguimento do ajuste em Petrobras. Vale mostrou leve recuperação na sessão, mas continua bem depreciada em relação a dezembro, quando a ação estava a R$ 77 ou R$ 78. China em meio a dúvidas sobre o nível de atividade econômica e a incerteza sobre a sucessão no comando da empresa pesaram, desde então, sobre a ação da mineradora", diz Gabriel Mota, operador de renda variável da Manchester Investimentos.

Hoje, Vale ON, a principal ação do Ibovespa, subiu 0,37%, a R$ 66,99 - no ano, a ação ainda recua 13,23%, com perda de 1,14% em fevereiro.

Na agenda externa, destaque para a divulgação, na manhã, da métrica preferida do BC dos Estados Unidos para monitorar a inflação ao consumidor no país, o índice PCE, que avançou 2,4% ao ano, dentro da expectativa do mercado, assim como o núcleo (+2,8%), em janeiro, observa a Toro Investimentos. Ambas as leituras ficaram abaixo do resultado de janeiro, quando o índice cheio havia avançado 2,6% e o núcleo, 2,9%, em termos anuais.

"Na parte de inflação, nos Estados Unidos veio indicador muito próximo ao que era esperado pelo mercado, o que é um alívio, porque se trata de dado que o Fed acompanha de perto. Uma aceleração resultaria em preocupações quanto ao início do processo de redução de juros, aguardado para o meio do ano, quando se espera que o BC americano terá conforto para iniciar o corte. O número de hoje corrobora essa expectativa, resultando em um pouco de fechamento da taxa de juros de 10 anos dos EUA, referência do mercado em todo o mundo", diz Mônica Araújo, estrategista de renda variável da InvestSmart XP.

Após trocas de sinal e oscilações bem contidas ao longo da tarde, o dólar à vista encerrou a sessão desta quinta-feira, 29, cotado a R$ 4,9725 (+0,05%) no mercado doméstico de câmbio. Pela manhã, operou em alta firme, na contramão da tendência de baixa da moeda americana frente a divisas emergentes. Com a disputa pela formação da última Ptax de fevereiro, a taxa de câmbio se aproximou do nível psicológico de R$ 5,00, com máxima a R$ 4,9980.

Indicador mais aguardado da semana, o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) e seu núcleo vieram dentro do esperado em janeiro. Na comparação anual, houve leve desaceleração, de 2,6% em dezembro para 2,4% no mês passado, também de acordo com as estimativas. A leitura do PCE não mexeu com a expectativa de que o Federal Reserve vai esperar até junho para começar a cortar os juros - uma aposta que se cristalizou em fevereiro com a safra de indicadores de atividade e inflação nos EUA.

O rearranjo das expectativas ao longo de fevereiro para próximos passos do Fed levou a um fortalecimento global da moeda americana que respingou no real. O dólar à vista fechou o mês com valorização de 0,72%, acima da exibida pelo índice DXY, que mede o desempenho da divisa frente a pares, em especial o euro.

A moeda brasileira também sofreu com a saída de recursos externos ao longo de fevereiro. À tarde, o Banco Central informou que o fluxo cambial total no mês (até dia 23) está negativo em US$ 2,317 bilhões, graças a saídas líquidas de US$ 4,231 bilhões pelo canal financeiro. No ano, o saldo cambial total ainda é positivo US$ 2,886 bilhões, em razão da entrada líquida de US$ 6,543 bilhões via comércio exterior.

"O principal 'driver' do mercado tem sido o exterior, com a incerteza sobre a política monetária americana direcionando os ativos global. O PCE hoje veio alto, mas já esperado", afirma o economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima, ressaltando que as questões domésticas não têm feito preço no câmbio.

Lima atribui a alta do dólar neste início do ano, da casa de R$ 4,80 para mais de R$ 4,90, ao um realinhamento de preços de ativos após indicadores de atividade e inflação nos EUA "não confirmarem" a euforia do mercado em torno de um corte inicial de juros pelo Fed já neste primeiro trimestre.

Apesar de fechar fevereiro com ganhos, o dólar tem oscilado entre margens bem estreitas nas últimas semanas, com oscilações inferiores a quatro centavos de real entre mínima e máxima, o que revela falta de convicção para apostas mais contundentes. Além disso, a taxa de câmbio tem respeito o nível psicológico no R$ 5,00 no fechamento.

Lima destaca que, apesar da incerteza sobre o início e o processo de corte de juros nos EUA, a visão predominante ainda é de que haverá redução da taxa de juros pelo Fed neste ano. Esse quadro contribui para manter a taxa de câmbio comportada, embora ainda acima de R$ 4,90. "Se ficar mais claro o que o Fed vai fazer, com corte mesmo no primeiro semestre, podemos ter uma dinâmica mais favorável para os mercados, que vai se refletir na moeda", afirma.

Os juros futuros fecharam a última sessão de fevereiro em baixa, com destaque para os vencimentos longos que recuaram um pouco mais que os curtos. O movimento foi comandado pelo dado de inflação nos EUA dentro do esperado, o que manteve junho como o mês mais provável para o início dos cortes de juros pelo Federal Reserve, segundo as apostas de mercado. Os rendimentos dos Treasuries cederam e ajudaram a puxar para baixo os juros no Brasil, que tiveram ainda influência de fatores técnicos relacionados a ajustes de carteiras no fim do mês.

O alívio nos prêmios se deu mesmo com dados robustos da Pnad Contínua, que endossam o alerta do Banco Central sobre a pressão que o mercado de trabalho tem exercido sobre a inflação de serviços.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 encerrou em 9,955% (mínima), de 9,995% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2026 caiu de 9,83% para 9,78% (mínima). O DI para janeiro de 2027 encerrou em 9,98% (de 10,04% ontem). A taxa do DI para janeiro de 2029 terminou a 10,42%, de 10,48%.

O índice de preços dos gastos com consumo (PCE, em inglês), tanto o dado cheio quanto o núcleo, de janeiro veio em linha com as estimativas, o que não deixa de ser uma boa notícia considerando que outros indicadores (CPI e PPI) surpreenderam para cima. "O principal ponto de pressão sobre a curva do DI tem sido o externo. Então, como não tivemos surpresa negativa do PCE, as taxas acabaram fechando", explicou o economista da Guide Investimentos Victor Beyruti.

Beyruti diz ainda que a alta dos DIs ao longo do mês deixou espaço para uma correção de baixa. Em relação ao fim de janeiro, a curva doméstica ganhou inclinação em fevereiro. Enquanto as taxas curtas fecharam praticamente de lado ante o fim do mês passado, as longas subiram em torno de 20 pontos-base.

O desempenho das curvas está relacionado à maior cautela sobre o ciclo de cortes de juros nos Estados Unidos, com as apostas para o mês de março tendo sido descartadas e as de maio perdendo força, para dar lugar a junho como cenário central. Essa migração, acompanhada ainda de uma redução da precificação do orçamento total de quedas este ano, foi amparada por uma combinação entre discursos hawkish do Federal Reserve e dados fortes de inflação e do mercado de trabalho.

No Brasil, o destaque do dia foi a Pnad Contínua, que pode ter ajudado a limitar o recuo das taxas de curto prazo. A taxa de desemprego foi de 7,6% no trimestre encerrado em janeiro, pouco acima dos 7,4% do trimestre até dezembro. O resultado ficou abaixo da mediana das estimativas, de 7,8%. Mais até do que o desemprego, o que chamou a atenção foram os indicadores de salário e renda. A massa salarial subiu para nível recorde, com alta de 6,0% ante o trimestre terminado em janeiro de 2023. A renda média real avançou 3,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os dirigentes do Banco Central têm demonstrado preocupação com os efeitos do mercado de trabalho, salários em especial, sobre a inflação de serviços, que tem resistido em patamares elevados. Para o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Nicolas Borsoi, a leitura da Pnad, somada ao comportamento de serviços visto no IPCA-15 nesta semana, sugere que o cenário de Selic terminal abaixo de 9% é algo "surrealista". "Ainda mais se o PIB amanhã mostrar atividade ainda resiliente", disse. Na curva, a precificação para a Selic terminal nesta tarde estava em 9,60%, ou seja, entre 9,50% e 9,75%.

Nesta sexta-feira, será conhecido o PIB do quarto trimestre e de 2023. As medianas da pesquisa do Projeções Broadcast são de, respectivamente, estabilidade e crescimento de 3,0%.

A Organização Mundial de Comércio (OMC) afirma que a 13ª conferência ministerial do órgão foi estendida por um dia, até esta sexta-feira, 1º, "a fim de facilitar resultados nos principais temas em pauta". Segundo comunicado da OMC, a decisão veio após consultas da diretora-geral, Ngozi Okonjo-Iweala, com o presidente da reunião e ministros facilitadores do diálogo.

Na quarta-feira, Okonjo-Iweala pediu aos membros do encontro que busquem avançar mais em busca de convergências em várias negociações, na reunião ministerial, bem como para ter em mente que estava perto do fim o prazo para se chegar a acordos significativos no evento.

As bolsas de Nova York fecharam em alta, com o Nasdaq marcando o maior patamar de fechamento desde 2021, diante do frenesi das ações ligadas à inteligência artificial. O clima veio depois que os dados de inflação nos Estados Unidos confirmaram as expectativas. Os indicadores mantiveram a perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) deve começar a reduzir os juros no país, provavelmente em junho, um cenário já incorporado aos preços dos ativos. O pregão foi pontuado ainda por indicadores mistos sobre o ritmo da economia americana, enquanto falas de membros do Fed continuaram reforçando a narrativa de prudência.

O Dow Jones Industrial Average subiu 0,12%, a 38.996,39, após três sessões em queda. O S&P 500 e o Nasdaq também avançaram. O S&P 500 teve ganho de 0,52%, aos 5.096,27 pontos e o Nasdaq marcou +0,90%, fechando aos 16.091,92 pontos.

Os índices acumularam ganhos no mês de fevereiro: o Dow Jones teve alta de 2,22%, o S&P 500 de 5,17% e o Nasdaq, de 6,12%.

As ações da Boeing caíram 1,58% na sessão de hoje, em devolução parcial do ganho de mais de 2% do pregão de ontem. A fabricante de aeronaves deve apresentar em 90 dias um plano para corrigir problemas graves de qualidade e segurança de seus aviões, informou a Administração Federal de Aviação (FAA, da sigla em inglês) na quarta-feira.

A Salesforce subiu 3,02%, depois que a fabricante de software empresarial relatou, na quarta-feira, lucros e receitas do quarto trimestre que superaram as estimativas, enquanto a projeção de receita de CRM para o ano fiscal de 2025 ficou abaixo das expectativas. A companhia anunciou seu primeiro dividendo. "A empresa cumpriu seu compromisso de devolver capital aos acionistas, iniciando seu primeiro dividendo, em um valor inicial de US$ 0,40 por ação, além de aumentar seu plano de recompra de ações em US$ 10 bilhões", disse Terry Tillman, analista da Truist Securities, em um relatório. Os lucros da Salesforce aumentaram 36%, para US$ 2,29 por ação em uma base ajustada. Além disso, a receita aumentou 11%, para US$ 9,29 bilhões.

Na esfera macroeconômica, o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) dos EUA avançou 0,3% em janeiro ante dezembro. O núcleo do PCE, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, subiu 0,4% no mesmo período. Ambas as variações vieram em linha com as previsões de analistas consultados pela FactSet. Na comparação anual, o PCE subiu 2,4% em janeiro, perdendo força ante o acréscimo de 2,6% visto em dezembro, enquanto o núcleo avançou 2,8%, desacelerando ante o aumento de 2,9% do mês anterior. Também neste caso, os resultados de janeiro confirmaram as previsões da FactSet. A renda e os gastos com consumo subiram mais do que o esperado. Outros dados mostraram fraqueza, como o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) e as vendas pendentes de imóveis recuaram.

* Com informações da Dow Jones Newswires

A solução para a crise das empresas aéreas tem de ser rápida e passa pela formação de um fundo garantidor de crédito, disse hoje o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. "Quem define o tamanho do fundo garantidor é o Ministério da Fazenda, é o governo. Tem de analisar bem qual é a demanda de crédito", acrescentou. "O BNDES vai analisar a partir do momento que tiver essa condição. Já conversamos com as empresas e elas já apresentaram as suas necessidades. Mas já dissemos publicamente a elas que nós precisamos de um fundo garantidor."

O executivo enfatizou que é preciso encontrar uma solução para as aéreas rapidamente, pois, se houver muita demora, as empresas são inviabilizadas. "Precisa ter instrumentos mais ágeis e uma legislação que dê segurança jurídica".

Mas, destacou, "para oferecer linhas de crédito numa situação dessas, o BNDES precisa de garantias. E a garantia do meu ponto de vista, só pode ser dada pelo Estado, pela União. Estamos aguardando. Há várias discussões em andamento, esperando uma decisão, para que a gente encontre um caminho eficiente para poder oferecer crédito e superar essa fase."

O executivo sublinhou que a legislação brasileira é restritiva em relação à recuperação de empresas. "Você tem duas empresas que operam no Brasil, que foram fazer a recuperação nos EUA e já destravaram o crédito e já resolveram problemas", comentou. "Nós vamos ter aí, talvez redução de rotas", comentou. "Mas recorreram ao amparo e à segurança jurídica dos EUA."

A Latam informou, no fim de 2022, que concluiu com sucesso o processo de recuperação judicial nos EUA. A Gol iniciou seu processo nos EUA em janeiro e nesta semana informou que conseguiu aval da Corte de Nova York para empréstimo na modalidade DIP (debtor-in-possession).

Mercadante reforçou que "muitos países já socorreram as suas empresas", citando EUA, Alemanha, Portugal, França e Reino Unido. "Socorreram e com recursos substanciais não reembolsáveis. Não foi com operação de crédito. Precisamos olhar o que o resto do mundo fez e aprender com essas experiências."

Mercadante defendeu ainda as empresas nacionais com o argumento de que as companhias mantêm rotas para determinadas regiões, citando, por exemplo, a Amazônia. "O país precisa ter empresas aéreas. Um país continental como o Brasil, com as distâncias que nós temos aqui, se você suprime essas empresas nacionais, tem muita dificuldade de chegar em alguns pontos, em algumas regiões. Foi um processo histórico muito complexo para a gente atender algumas regiões."

O executivo mencionou também a relevância do setor para os negócios da fabricante de aviões Embraer. "Temos empresas nacionais que são parceiras importantes da Embraer", disse. "É importante para a indústria aeronáutica brasileira ter empresas aéreas."

O dólar operou misto ante rivais, em uma sessão de agenda econômica agitada no exterior. Investidores avaliaram dados de inflação dos EUA e da Alemanha, além de comentários de autoridades dos BCs americano, japonês e europeu, em busca de melhores orientações para estimar qual será a trajetória de juros nas principais economias do mundo.

No fim da tarde em Nova York, o dólar recuava a 149,93 ienes, o euro tinha baixa a US$ 1,0812 e a libra caía a US$ 1,2625. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de moedas fortes registrou alta de 0,17%, a 104,156 pontos, com ganho mensal de 0,85% em fevereiro.

O iene já se valorizava contra o dólar desde o início do dia, após o dirigente do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) Hajime Takata defender que ele e seus colegas comecem a discutir os detalhes de um possível abandono da postura monetária ultra-acomodatícia.

O Commerzbank disse estar contando que o BoJ dê os primeiros passos nessa direção em breve, o que poderia beneficiar o iene. "No entanto, esperamos que a valorização tenha duração limitada. Como foi em 2000 e 2006, as primeiras altas de juros provavelmente sufocariam a inflação. E, então, não haverá maior normalização", acrescentou.

A depreciação do dólar foi ampliada depois de uma bateria de dados mistos dos EUA sobre inflação, renda, gastos e emprego. Enquanto no Japão se fala em normalizar a política, nos EUA, pensa-se em cortes de juros. Os investidores ouviram as falas dos dirigentes do Federal Reserve (Fed) Raphael Bostic, Austan Goolsbee, Loretta Mester e Mary Daly, que, no geral, expressaram otimismo quanto ao alcançamento da meta de inflação, mas indicaram que a luta ainda não foi vencida.

A moeda europeia chegou a operar em alta contra o dólar durante parte do dia, mas terminou a sessão em baixa. Um driver que impôs pressão ao euro foi a taxa anual do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), que desacelerou ao menor nível desde meados de 2021 e ficou abaixo das expectativas. "Isso vai agradar as autoridades do Banco Central Europeu (BCE), mas esperamos que eles continuem cautelosos sobre relaxar a política cedo demais", comentou a Capital Economics. Aqui no Brasil para a reunião ministerial do G20, o dirigente Fabio Panetta considerou que a "inflação está caindo rapidamente".

Entre outros destaques, o dólar caía a 1,3573 dólar canadense, no horário citado, depois que o Produto Interno Bruto (PIB) do Canadá cresceu mais do que o esperado no quarto trimestre, o que apoiou a moeda local, embora com impulso limitado. A leitura anterior ainda foi revisada para uma queda menor do que a previamente informada.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), destacou, após leilão do Trem Intercidades Eixo Norte, que vai conectar a capital paulista a Campinas, no interior do Estado, a parceria do governo do Estado com o BNDES. Com agradecimentos a representantes do banco e ao presidente da instituição de fomento, Aloizio Mercadante, o governador falou na expectativa de mais parcerias com o BNDES para trazer mais projetos para o Estado.

O governador citou a intenção de novos projetos como o leiloado nesta quinta-feira. Entre eles, um trem ligando a cidade de São Paulo a Sorocaba que, segundo Tarcísio, está sendo estruturado e deve ir a leilão no ano que vem.

"A gente tem muito café para tomar com Mercadante para trazer mais projetos para São Paulo", disse o dirigente estadual. Em setembro de 2023, o BNDES aprovou um financiamento de R$ 6,4 bilhões para a realização de aportes públicos no TIC Eixo Norte, que é uma parceria público-privada (PPP) e compõe o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC).

A diretora de infraestrutura do BNDES, Luciana Costa, também destacou a parceria com o governo. Em fala após o leilão, além de pontuar o BNDES como um grande investidor nas obras de infraestrutura do País, ela afirmou a intenção de continuar atuando junto aos entes federativos. "O BNDES fica muito satisfeito de continuar parceiro do Estado, parceiro dos investidores, para financiar essa grande obra do Estado", disse.

O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central (BC), Paulo Picchetti, disse nesta quinta-feira, 29, que os dados do mercado de trabalho continuarão sendo analisados nas decisões de política monetária junto com outros indicadores. O comentário, feito em entrevista à imprensa no intervalo entre as reuniões do G20, segue a divulgação, hoje, de que o desemprego de janeiro (7,6%) ficou abaixo das expectativas (7,8%).

A ata da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) mostrou maior preocupação do BC com os impactos do mercado de trabalho aquecido no objetivo de convergência da inflação à meta. "Vou reforçar a mensagem da ata. Tornamos claro que esta é uma preocupação e que vamos continuar acompanhando os dados. Hoje, conhecemos novos dados de emprego, que vão ser levados em consideração não isoladamente, mas junto com todo outro conjunto de indicadores", comentou Picchetti.

"Resumindo, continua sendo uma preocupação e continuamos acompanhado os dados à medida que vão aparecendo", reforçou o diretor do BC.

A carteira de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) somou R$ 515 bilhões em 2023, acréscimo de R$ 35 bilhões em relação ao ano anterior, incremento de 7,4%. A informação foi dada na tarde desta quinta-feira, 29, pelo presidente do banco de fomento, Aloizio Mercadante. O BNDES apresentará os resultados do ano passado na segunda-feira.

Mercadante comentou que diferenças metodológicas fazem com que exista, todos os anos, uma diferença no valor da carteira de crédito do BNDES reconhecida pelo Banco Central e no valor que o próprio banco de fomento contabiliza.

O BNDES divulga uma carteira um pouco maior, explicou, porque os BC não incorpora, em suas contas, as debêntures - que somaram R$ 22,9 bilhões -, o Finame na íntegra - R$ 29,7 bilhões - e residuais do BNDESPar - R$ 866 milhões. Assim, para o BC, o saldo de 2023 foi de R$ 472,1 bilhões.

Mercadante participou na tarde de hoje da assinatura de acordo de cooperação com a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) para ampliação da comunicação e intercâmbio de experiências e para estudos de temas relevantes.

Ele comentou que a parceria fechada hoje não é a primeira do BNDES no sentido de intercâmbio e colaboração com o Judiciário. "Fizemos parceria com STF e estamos estudando litigância do Estado", disse.

O tempo que os processos demoram para ser digeridos no Brasil tem impacto na eficiência da economia, frisou o presidente do banco de fomento.

O juiz federal Nelson Alves, presidente da Ajufe, destacou a abertura para o debate com o banco. "Estamos prontos para diálogo com transmissão de conhecimento em parceria com o BNDES."

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