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Fusão Arezzo-Soma: negócio não gera sinergia, mas cria gigante da moda de alta renda

Essa é a visão de especialistas sobre a combinação de negócios de vestuário, calçados e acessórios com foco em lojas físicas de shoppings.

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A união entre a Arezzo(ARZZ3) e o Grupo Soma(SOMA3) agitou o mercado financeiro na semana passada, mas ainda gera dúvidas no mercado. No dia da divulgação sobre uma possível fusão, na quarta-feira (31), as ações de ambas as empresas dispararam na B3, chegando a entrar em leilão, e fecharam em alta de mais de 10%, cada.

Oanúncio oficial da união, divulgado neste fim de semana, cria uma gigante única do varejo de moda de alta renda. Em uma operação que envolve mais de 30 marcas e de duas mil lojas físicas, ainda há dúvidas sobre se o acordo faz sentido, apesar dos números expressivos. 

Loja da marca Schutz, da Arezzo. na Madison Avenue, em Nova York 19/03/2016 REUTERS/Brendan McDermid

A nova empresa resultante deve ter um valor de mercado de aproximadamente R$ 13 bilhões, criando uma das maiores empresas de moda da América Latina. Para se ter uma ideia, a Lojas Renner, uma das maiores varejistas de vestuário no Brasil, possui um valor de mercado de R$ 15,2 bilhões.

Prós e contras

Relatórios de analistas do mercado financeiro apontaram méritos na transação, ainda que com alguns desafios no radar, tornando o negócio uma relação de ganhos e perdas. Do lado da Arezzo, os especialistas destacam o fortalecimento da estratégia de “house of brands”, além da maior participação no segmento de vestuário. 

Já o Grupo Soma deve ganhar com o know-how da Arezzo no canal de franquias de marcas, o que poderia acelerar o turnarounddaHering. Isso sem falar na possível melhora nas negociações com fornecedores e dos custos fixos, o que se contrapõe à sobreposição de centros de distribuição, equipe e tecnologia.

Loja da Cia Hering, do Grupo Soma, em São Paulo 10/2020 Aluísio Alves/REUTERS

Portanto, a avaliação leva em conta uma leitura separada, dos prós e contras para cada empresa. Como a transação deve ocorrer por meio de troca de ações entre os acionistas controladores, o mercado passou a ‘precificar’ as sinergias relacionadas a despesas fixas e com vendas, mostrando uma visão mais cética em relação aos ganhos de receita.

Sem sinergia

Mas é aí que parece estar o problema. Segundo o chefe de análise de investimentos da Levante, Flavio Conde, a fusão entre Arezzo e Grupo Soma não deve ser vista pela ótica do ganho de sinergia, visando reduzir custos. Isso porque as marcas de cada uma dessas empresas, como Schutz,AnacaprieMaria Filó, entre outras, são independentes.

“É mais um negócio de ficar maior mesmo via a combinação de segmentos complementares e gestão de marcas”

Flavio Conde, chefe de análise de investimentos da Levante

Segundo Conde, essa característica de crescer pela combinação de negócios já é algo que está “no DNA” de ambos os grupos. “O que se vê é um modelo de cross-selling, com uma complementaridade de venda de produtos de vestuário,calçadoseacessórios”, acrescenta o analista. 

Crédito: Divulgação

Gênios do varejo

Sabe-se do desafio de vender peças de roupas, por exemplo, na hora do cliente que quer comprar um salto alto. Porém, Conde destaca a expertise de Roberto Jatahy, do grupo Soma, que seria o presidente da unidade de negócios de vestuário feminino, somada à experiência de Alexandre Birman, da Arezzo, no portfólio e gestão de marcas. 

“São dois gênios do varejo de alta renda mais personalizado que vão consolidar o negócio”, destaca o chefe de análise da Levante. Por isso, ele avalia que a concorrência no e-commerce não preocupa os donos das marcas, com as lojas de departamentos como C&A(CEAB3),RiachueloeRenner(LREN3) sofrendo mais com as varejistas asiáticas. 

Isso porque a expansão da nova empresa combinada deve se dar por meio de lojas físicas, com o negócio online não passando de 20% do resultado financeiro, estima Conde. Para ele, deve haver um aumento das unidades das marcas que o Grupo Soma e a Arezzo representam espalhadas nos shoppings do país, em especial do público de alta renda

Além disso, o analista vislumbra espaços conjuntos nesses locais, com uma loja da Vans ao lado da Farm, por exemplo. No caso específico da Hering, a expectativa é de que, aí assim, ocorra uma otimização de recursos e eficiência na gestão, mantendo as lojas próprias, onde os números são mais positivos e sendo criterioso em relação às franquias

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