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Verve Capital: ‘Inverno das startups’ está próximo do fim

Gestora de venture capital vai lançar seu segundo fundo em fevereiro, com a perspectiva de 20 startups investidas.

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2023 foi o pior ano em uma década para aquisições de empresas apoiadas por venture capital (capital de risco), de acordo com levantamento da PitchBook. As empresas compraram quase 700 startups por um valor combinado de US$ 26,7 bilhões – cerca de um quarto do movimentado no pico, em 2021. Agora, o apetite parece estar de volta. É o que defendem ao bwin os fundadores da Verve Capital, Marcelo Franco e Gabriel Farme.

Preocupações com a recessão, taxas de juros elevadas, riscos antitruste e maior ênfase na rentabilidade estão entre as razões pelas quais investidores não foram às compras no ano passado. Somado a isso, cerca de 3,2 mil startups faliram nos Estados Unidos, com mais de US$ 27 bilhões em recursos de venture capital evaporando. 

Em 2024, o cenário que se desenha parece ser outro, desde a expectativa de recuo na taxa de juros nos EUA – o que afeta diretamente no custo de capital das startups, assim como segue em curso uma mudança cultural entre empreendedores e investidores, em que o crescimento a qualquer custo deu lugar à busca do breakeven – ou de um crescimento sustentável.

A gestora vai lançar seu segundo fundo em fevereiro, com a perspectiva de ter 20 startups investidas em parceria com co-investidores. Já o primeiro fundo é de capital próprio e conta com 27 empresas no portfólio. 

No primeiro, há diversificação geográfica, com muitas startups americanas no portfólio. Já o segundo pretende ser quase totalmente “Made in Brazil“, mas com olhar para a América Latina.

“Tem muita oportunidade. O Brasil, em especial, é um mercado por si, maior do que todo o resto da América Latina combinado”, aponta Marcelo, que mora nos Estados Unidos há 10 anos e foi empreendedor de e-commerce no Brasil no final da década de 90.

Ele co-fundou a varejista de cosméticos e beleza Sack’s, que em 2010 foi vendida para a LVMH, holding francesa de luxo que detém a marca Sephora e o grupo Louis Vuitton. “Criei este e-commerce muito novo, sem saber direito o que estava fazendo em uma época em que era tudo mato”, conta.

A fundação da Verve foi impulsionada pela venda da Sack’s, o que gerou visibilidade. Segundo Marcelo, virar investidor-anjo foi um processo natural. “Nunca fui um executivo, então achei que ia encontrar na próxima jornada de algum empreendedor uma oportunidade, uma tese, e ia querer embarcar junto – o que acabou me encantando no processo”. 

Mas foi apenas ao conhecer Gabriel que, de fato, a Verve deixou de ser só teoria. 

Marcelo Franco e Gabriel Farve, fundadores da Verve Capital.

Sua experiência vem do mercado financeiro, passando por financiamento de projetos no setor de óleo e gás. Foi na Europa, durante um MBA, que ele teve contato com o mundo da tecnologia.

A gestora formada pela dupla foca exclusivamente em rodadas pré-seed e seed com o objetivo de ser o primeiro cheque institucional. “A gente quer estar junto com os investidores-anjo, naquela rodada ali do “family and friends“, com aquele empreendedor que tem uma tese boa”.

Segundo Marcelo, o modelo de negócio não precisa estar claro, mas a maior diligência é em quem estará operando. A Verve não vai além da rodada seed– que busca recursos para um estágio mais avançado da startup.  

Inverno das startups’ já passou?

O dito “inverno das startups” veio na sequência do aumento dos juros nos Estados Unidos, o que afetou os valuations de empresas de capital aberto. Isso, por sua vez, reduziu as perspectivas das empresas em early stage quanto a aberturas de capital. Fundos também  pararam de fazer investimentos nesse momento, o que impactou toda a cadeia.

Na visão de Marcelo, é normal que o mercadopasse por uma evolução, sendo inclusive esperadas as “mortes” de startups (como as registradas). “Passamos por um período de abundância, mas tudo está sendo consertado”.

Na experiência do investidor, a dinâmica do mercado mudou, com os fundadores de startups mais conscientes de seu papel e do que o mercado espera. Há também uma maior seletividade, diligência no processo, e com os investidores dispostos a jogar o jogo. 

“Não tem como achar que não vão nascer empresas incríveis para resolver esse monte de problema com tecnologia. Vários fatores estavam errados, mas dizer que vão parar de nascer empresas de tecnologia de sucesso, ainda mais na América Latina e no Brasil, é um erro grosseiro”.

MARCELO FRANCO, FUNDADOR DA VERVE CAPITAL.

Já Gabriel aponta que conseguir dinheiro com venture capital ficou mais difícil que no passado. “Não é que os fundos vão parar de fazer investimento, a questão é muito mais que o crivo ficou bem mais alto para se conseguir pegar o dinheiro em todas os estágios”. 

Ainda assim, o executivo aponta ver algumas rodadas de captação no auge do inverno das startups, o que, segundo ele, “é animador”. 

“No estágio em que a gente opera (pré-seedeseed), as rodadas eram grandes em 2020 e 21, reduziram em 2022 e praticamente em 2023 inteiro as rodadas maiores foram escassas. Mas agora começamos o ano muito bem”.

GABRIEL FARVE, FUNDADOR DA VERVE CAPITAL.

“A gente já começa a ver desde o fim do ano passado três IPOs de empresas de tecnologia nos EUA, o que nos faz vislumbrar a saída de mais IPOs, o que deve aquecer o investimento em VC”. O gestor se refere às aberturas de capital da Arm (fabricante de chips), Instacart (startup de entregas de compras de supermercado) e Klaviyo (plataforma de automoção de marketing digital).

Crescimento sustentável é a bola da vez

Segundo a Verve, mudou completamente a dinâmica do mercado de startups e fintechs, gerando agora um entendimento de que tentar crescer a qualquer custo não é o caminho. 

“O empreendedor que pensasse em breakeven [ponto de equilíbrio do negócio] era excluído do grupo porque não se falava nisso, só se falava em crescer e crescer”. 

MARCELO FRANCO, FUNDADOR DA VERVE CAPITAL.

Hoje, segundo o executivo, a mudança de cenário é algo dentro da realidade, sustentável, com foco no longo prazo. “Não tem mais empreendedor achando que vai ficar milionário em cinco anos, então é uma mudança de mindset, tanto dos empreendedores quanto dos investidores”.

Ainda segundo Marcelo, sobraram poucos players que entendem do jogo e estão dispostos a jogar. “Saiu muita gente que estava atuando no mercado impulsionada por aquele momento de abundância de capital, o que acabava atrapalhando”, avalia.

Viés para Brasil e América Latina

Os olhares voltados à América Latina são vistos como uma consequência da Verve estar focada no Brasil, uma das dez maiores economias do mundo e cujo investimento em VC é cinco vezes menor do que nos EUA, segundo dados da McKinsey. E, segundo Marcelo, esse ecossistema está em processo de evolução no país. 

“A gente entende a jabuticaba brasileira, as dificuldades, as oportunidades, quem conectar, quem pode ajudar com determinados setores. Independentemente da indústria, já que somos agnósticos, acreditamos que podemos ajudar com as dores e dificuldades dos empreendedores no começo da jornada”. 

MARCELO FRANCO, FUNDADOR DA VERVE CAPITAL.

Uso de IA no venture capital

Apesar de a inteligência artificial ser o assunto do momento, a gestora aponta não focar em negócios de IA, mas em empresas que estejam usando a ferramenta de alguma maneira – seja para aumentar a eficiência, a redução de custos ou melhorar o atendimento ao consumidor.

A expectativa da Verve é fazer de quatro a seis investimentos este ano. Em 2021, foram 11, em 2022, sete; em 2023, três. O anúncio dos primeiros investimentos do fundo deve ser feito em breve.

“O momento para investir está melhor agora, seja pelo mercado, pela menor competição, empreendedores mais preparados, além de uma cultura mais sustentável”, aponta Gabriel.

As investidas

Rei do Pitaco, Tipspace, Ribon, Malga, Arado, Sooper, Cumbuca, Religion Of Sports (mídia co-fundada por Tom Brady) e Moisés são algumas das investidas da gestora. Essa última – uma referência ao profeta bíblico que abriu o mar vermelho –  utiliza IA para separar a voz e os instrumentos musicais de uma música, assim como sintetiza a voz de artistas já falecidos, como “Now and Then”, dos Beatles. O sucesso da startup é tanto que foi o app mais baixado no Japão e nos EUA em 2023, segundo a Verve, responsável pelo primeiro cheque da empresa. 

Entre as investidas, apenas três chegou à série “A”, uma vez que para isso é necessário um maior tempo de amadurecimento do negócio. No entanto, 60% já fizeram a rodada de captação seguinte à pré-seed ou seed. A expectativa é que mais investidas em 2024 façam novas rodadas.

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